Colunistas
Historinhas do futebol
por Francisco Dandão



Um dia desses eu publiquei na minha página no Facebook uma fotografia do Vasco da Gama do Acre do ano de 1977. Na tal fotografia, o último jogador da fila dos agachados era justamente o Litro, ponteiro-esquerdo habilidoso, irmão dos também jogadores famosos Tonho e Dango.

A fotografia obteve uma centena de curtidas e comentários. O Brizola, por exemplo, ex-jogador do Juventus, destacou o detalhe de uma jaqueira, que ficava nos fundos do estádio Jose de Melo. E o ex-volante atleticano Tadeu ressaltou a dificuldade de jogar contra aquela formação vascaína.

O comentário que mais chamou a minha atenção, porém, foi o do meu chapa Toinho Martins. É que ele focou justamente na figura do Litro pra dizer que o referido ponteiro todos os finais de semana pedia dinheiro ao presidente do clube, professor Almada Brito, para comprar medicamentos.

De acordo com o Toinho, o Litro carregava estrategicamente no bolso uma receita médica, assinada por um ginecologista, com a prescrição de um anticoncepcional, mas dizia para o professor Almada que era "fortificante", prescrito por um clínico geral. Remédio para melhorar o desempenho físico.

E aí, sempre segundo o Toinho, o professor Almada, na maior boa fé, e por não querer que o seu veloz e driblador ponteiro corresse o risco de ficar "pregado" em campo no segundo tempo, puxava do bolso duas notas das maiores que havia na época, dobrava e as repassava para o grande Litro.

Só que o dinheiro tinha outro destino. A farmácia não via o Litro nem numa esquina distante. Não crescia a taxa de vendas nem dos anticoncepcionais, nem dos "fortificantes". O que melhorava era o consumo de cervejas geladas, nas imediações da Fazendinha, sede do próprio Vasco.

Mudando de história, me lembrei de dois outros personagens das narrativas do Toinho: o Ademir Sena, meio campo talentoso que pontificou no Vasco, ao lado de craques como o Gilson e o Carlinhos "Maguim"; e o Lula, ponteiro importado de São Paulo, para substituir o lendário Bico-Bico.

Sobre o Ademir, que subiu muito jovem dos juvenis para os titulares do Vasco, ganhando auras de "craque precoce", o Toinho jura que se tratava de um caso de adulteração de certidão de nascimento. "O Ademir era gato. Ele foi registrado no seringal, com três anos a menos", garante o Toinho.

E quanto ao Lula, que ganhou um fusca e uma casa na Cohab para trocar São Paulo pelo Acre, diz o Toinho que ele quando viu o Bico-Bico treinando, sabendo que jamais conseguiria tomar-lhe o posto, declarou-se com uma contusão crônica. "Foram dois anos de migué", garante o Toinho.

Vasco da Gama - 1977. Em pé, da esquerda para a direita: Brito, Veras, Aníbal, Afonso, Raimundão e Paulo Maravalha. Agachados: Océlio, Omar, Jorge, Tom e Litro. Foto/Acervo Francisco Dandão.

 
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