Colunistas
Depois do carnaval
por Francisco Dandão



Para boa parte das criaturas viventes no lado de baixo do Equador, o ano só começa mesmo depois do carnaval. Claro que é tudo uma questão de ponto de vista. Tem gente que ainda está com a cabeça em 2017, tem gente que já está em 2019. E tem gente que nem sabe dizer exatamente onde está.

A propósito dessas questões temporais, na mitologia romana existe um deus chamado Jano que está sempre olhando para a frente e para trás. Ou seja, um deus que jamais está aqui, ao contrário do lugar de eterno presente onde nós, com a nossa vida transitória, permanecemos acorrentados.

A figura desse deus romano é associada às portas de entradas e de saídas das mais diversas situações. Todas as decisões e escolhas passam pelas mãos de Jano. Para o bem ou para o mal, cada sujeito vivente se orienta com Jano para escolher o espaço por onde deve entrar e por onde deve sair.

Mas eu, como não tenho, necessariamente, nada a ver com isso, fico por aí, nas minhas janelas, só apreciando Jano agir e os blocos passarem. Os blocos sempre passam, apesar dos aplausos ou das vaias. Os blocos passam tanto quanto aquelas caravanas rodeadas de cães em incessante ladrar.

Quando eu falo de blocos e caravanas, devo esclarecer que não me refiro, especificamente, ao carnaval. Também não me refiro, de modo direto, àquelas carroças que se dirigiam ao faroeste. Refiro-me a todas as agremiações, todos os grupos de pessoas que comungam da mesma ideia.

Um time de futebol também pode ser um bloco ou uma caravana. Os seus integrantes emprestam as suas individualidades para alcançar um objetivo comum. A ideia é obter vitórias que levem as equipes aos diversos títulos. Nem todos conseguem. Mas sempre se pode tentar outra vez.

Voltando, porém, ao fio da meada, a questão do ano que só começa após o carnaval, talvez essa seja a grande ideia para aqueles times que já levaram as suas bordoadas antes do citado período de festas. Esquecer o que passou em janeiro (Jano, o deus romano empresta o nome ao primeiro dos meses).

Enquanto isso, para os times que começaram o período de 2018 ganhando alguma coisa, a ordem é continuar o processo. Para esses não pode haver ruptura. Jano olha para a frente sempre a partir do que ficou para trás. O presente é só um momento de transição entre o que passou e o que virá!

Que os perdedores aproveitem para recomeçar. As cinzas da quarta-feira pós-carnaval podem ser a matéria prima para um glorioso renascimento. E que os vencedores tenham forças para não deixar a bola baixar. Para esses, as cinzas devem ser o combustível para voos cada vez mais altos. Beleza?

 
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