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Treinador, treinadores...
por Francisco Dandão



De acordo com o meu raciocínio, nem sempre tão retilíneo, treinador de futebol não ganha nem perde jogo. Pelo menos não ganha nem perde sozinho. O futebol é um jogo coletivo. São onze jogadores em campo e todo um grupo trabalhando do lado de fora. O resultado é fruto de vários fatores.

A proposta de jogo, naturalmente, sai da cabeça do treinador. Ele estuda (ou deveria estudar) os adversários e encontra (ou tenta encontrar) a melhor estratégia para superá-los. Uma vez definida a estratégia, aí chega a vez de os jogadores executarem a referida proposta. E aí a coisa pode pegar.

Não raras vezes, apesar de os jogadores saberem exatamente o que deve ser feito para chegar ao triunfo, a teoria proposta pelo treinador não encontra resultados palpáveis. Dizendo de outra forma: o explícito mapa da mina pode apontar caminhos tortuosos e cheios de abismos no seu percurso.

De acordo ainda com o mesmo raciocínio nem sempre retilíneo, evidenciado lá no primeiro parágrafo desta crônica, porém, nem todo sujeito que assume a postura de treinador honra essa denominação. Pra falar a verdade, eu acho que tem mais enganador na área do que treinador de fato.

A observação das atitudes dos milhares de treinadores espalhados pela extensão da pátria brasileira é que nos dá a certeza dessa afirmação. Os erros de boa parte dos “professores”, seja escalando mal, seja substituindo errado, seja o que for, garantem que muitos não sabem absolutamente nada mesmo.

O treinador, entretanto, independentemente da competência, das boas propostas de jogo, dos acertos ou dos equívocos, é sempre o primeiro a pagar o pato quando o time não vai bem das pernas. “Escreveu não leu, o pau comeu”, como diziam os nossos avós quando queriam falar de algum castigo.

Mas essa conversa toda expressa neste texto de hoje só me ocorreu por conta da recente demissão do treinador do Rio Branco, após o tradicional clube ver lograda a sua pretensão de chegar à final do turno do campeonato acreano. Perder de três a um para o Galvez foi a gota que transbordou o copo.

Nada mais natural, creio eu. Um treinador quando assume o comando de um time de futebol sabe que dificilmente cumprirá o seu contrato até o final. Na eventualidade do seu time acumular derrotas, ele vai mesmo pegar o boné mais cedo. Melhor demitir um treinador do que onze jogadores!

Por último, quero dar um humilde “pitaco” nessa questão da escolha de treinador para os times acreanos. No meu entendimento, existem profissionais suficientemente capacitados em nível local. Penso que faz mais sentido trazer de fora um bom jogador do que um treinador meia boca. Falei?

 
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