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Média de público do Paraense é maior do que o do Carioca
por Augusto Diniz



A média de público do Campeonato Paulista desse ano é de 7,6 mil. No Mineiro, 5 mil. No Campeonato Paraense, 3,6 mil. No Gaúcho, 3,1 mil. No Catarinense, 2,9 mil. No Cearense, 2,6 mil. No Baiano, 2,5 mil. No Paraibano, 2,4 mil. No Campeonato Carioca, 2,3 mil.

O Pará lidera a média de público na região Norte do País. Nenhum estadual das outras federações locais supera o Paraense – e nem chegam a ter mais de 1 mil torcedores de média presente nos estádios. A média, até o momento, do Campeonato de Rondônia é de 724; do Amazonas, 715; e do Acre 377. São resultados muito baixos e bem aquém da disponibilidade de assentos dos estádios envolvidos.

O Campeonato Amapaense começa no final de março, assim como o Tocantinense. O Estadual de Roraima teve início no começo desse mês e, por isso, não há ainda dados para fazer um levantamento mais preciso da presença de público nos seus jogos.

Esses números, que podem mudar na medida em que caminha a competição para a definição, revela na verdade a falência desse tipo de torneio. Todos os resultados se apresentam muito ruins e percebe-se que não tem como o clube sobreviver com dinheiro de bilheteria, nem com parte dele.

Os problemas são diversos com a falta de público. A ausência de atratividade nos estaduais da região Sul-Sudeste está ligada a má qualidade dos jogos, onde clubes do porte do Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Internacional e Cruzeiro enfrentam times de futebol muito inferior – fazendo o torcedor preferir ir ao boteco acompanhar seu time pela televisão ao invés de se deslocar ao estádio, estacionar o carro e pagar ingresso.

Mas acredito também que esses campeonatos maiores têm modelos de torneios muito previsíveis, e feitos sob medida para levar os grandes clubes à final – esse tipo de arranjo tem as mãos de federações, emissoras de tv, patrocinadores e dos próprios clubes.

Dessa forma, resta ao torcedor esperar a competição esquentar, com sua equipe grande preferida na fase de decisão, para sair de casa até as arenas.

Nos torneios menores, que é a maioria no País, os problemas de falta de público são mais complexos e envolvem a necessidade de se criar estaduais apoiados em projetos de marketing bem desenhados, além de muita promoção e organização de primeira, com infraestrutura decente para o público.

E aí que acho que a CBF devia entrar, com seus recursos para fazer desses estaduais um bom modelo de negócios ao futebol fora dos grandes centros. O fim desses torneios não tem sentido em boa parte do País – notadamente fora da região Sul-Sudeste. O que precisa é justamente o contrário: o incentivo. Mas tem que ser feito de forma mais empresarial do que isso que taí.

 

 
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