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Jogar como nunca, perder como sempre
por Francisco Dandão



Nos últimos tempos o glorioso Rio Branco Futebol Clube, Estrelão para os íntimos, parece estar se especializando em materializar uma frase de efeito proferida pelo jornalista Paulo Henrique Nascimento: “jogar como nunca e perder como sempre”. Perder algum jogo ou alguma classificação.

A frase do Paulo Henrique eu ouvi quando da participação dele um dia depois da desclassificação do clube acreano na Copa do Brasil, no programa Redação Sportv. Paulo Henrique, que é torcedor confesso do Rio Branco, falou para o Brasil em tom de profunda decepção pelo fracasso do time.

Tudo isso me veio à cabeça no domingo passado, na Arena da Floresta, quando eu mesmo fui testemunha de uma situação semelhante. Naquela oportunidade, uma vitória simples ou um empate sem gols garantiam o Rio Branco nas semifinais da Copa Verde. Mas não foi isso o que aconteceu.

O empate em um a um com o Manaus-AM, no jogo anterior, na casa deste último, credenciava o clube acreano a passar de fase. O raciocínio era simples. Ora, se houve um empate na partida da ida, com o Rio Branco jogando melhor e com os caras marcando um gol em impedimento, então...

E aí veio o jogo da Arena, com uma torcida favorável e em um número razoável etc. e tal. Para melhorar, o Rio Branco saiu na frente, com um gol de bela feitura, em jogada trabalhada, ainda no primeiro tempo. Desenhava-se ali o melhor dos mundos. A classificação parecia uma questão de tempo.

Para aumentar a confiança, o Rio Branco voltou para a segunda metade do jogo como terminara a primeira parte: em cima do adversário, dando a nítida impressão de que logo liquidaria a fatura. Diogo Dolen, o mesmo jogador que abrira o placar, chegou até a mandar uma bola na trave.

Logo depois de carimbar o travessão do goleiro do Manaus, porém, começou a materialização da frase do Paulo Henrique. Num lance fortuito, o time amazonense foi à frente e empatou o jogo. Placar exato de levar a decisão da vaga para os pênaltis. O início da desclassificação do Estrelão.

Foi exatamente isso o que aconteceu, meus caros leitores. Mais uma vez, o Rio Branco jogou como nunca e perdeu como sempre. Aliás, destaque-se, decisões por pênaltis há muito tempo não tem sido bem uma especialidade do Estrelão. É bater o tiro livre e correr para o rio das lágrimas.

Apesar de tudo, no entanto, o Rio Branco ainda tem duas competições este ano para reescrever essa história de jogar como nunca e perder como sempre. As finais do returno do campeonato acreano estão aí. E depois vem a série D. O ideal é jogar como sempre e ganhar como (quase) nunca!

 
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