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Colunistas
Casa dos outros
por Francisco Dandão



Não se pode entrar na casa dos outros como se costuma fazer na própria residência, assim sem mais nem menos, deixando objetos jogados em qualquer lugar, invadindo todos os espaços sem quaisquer resquícios de escrúpulo. Principalmente se for a primeira vez do visitante no local.

As regras da casa alheia tem que ser seguidas da melhor forma possível, de acordo com o perfil do dono do lugar. Caso contrário, se o visitante, pelo menos em princípio, nos primeiros instantes, não seguir com algum rigor as tais regras, a interação vai ser um tanto constrangedora.

Depois de algum tempo, as coisas tendem a mudar de figura e o visitante, familiarizado com os costumes da casa, pode ficar mais à vontade. E aí, conforme o andamento da conversa, talvez já dê até para ir ao banheiro sem muita cerimônia. Tudo de acordo com o decorrer das intimidades.

A condição de visitante do glorioso Atlético Acreano, líder da série C depois da primeira rodada desse campeonato de 2018, neste fim de semana, implica nesses cuidados que eu falei aí em cima. Tem que bater na porta e pedir licença para entrar na casa do não menos glorioso Santa Cruz.

O time pernambucano apenas empatou na estreia, ao contrário do Atlético, que bateu o tradicionalíssimo Clube do Remo, em jogo realizado na Arena da Floresta. Mas o empate do Santa Cruz não pode ser considerado como um fracasso, uma vez que foi obtido em um clássico regional.

A estratégia do Atlético de partir pra cima do adversário sem medo de ser feliz tem dado resultados até aqui. Deu certo nas duas vezes em que disputou a série D (2016 e 2017) e também foi acertada no primeiro jogo da série C deste ano. Mas também, às vezes, pode ensejar riscos enormes.

No jogo contra o Remo, por exemplo, apesar de ter dado certo, posto que resultou em vitória, fez sim o time correr alguns riscos no segundo tempo. É que jogar sempre em cima do adversário, com a intensidade que o Atlético pretende, exige um nível de desgaste enorme dos jogadores.

Então, mesmo com todo o potencial técnico dos seus atletas e com a vontade de fazer história de todos os segmentos do Galo acreano, é preciso dosar a volúpia da ofensividade com os devidos cuidados defensivos. Como costuma dizer o Joraí, “caldo de galinha não faz mal a ninguém”.

Fora tudo isso, penso que o Atlético está bem preparado para cruzar o país de Norte a Nordeste e representar com dignidade o nome do futebol acreano. No mais, só para lembrar, que ninguém da delegação atleticana ouse se aventurar no mar de Boa Viagem. Tem tubarão na área por lá, viu?

 
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