Colunistas
Dadão Eterno
por Francisco Dandão



Dadão, nascido no dia 18 de julho de 1950 e registrado Eduardo Rodrigues da Silva, tido e havido como o “deus do futebol acreano”, já não faz parte deste mundo. Depois de uma longa internação num hospital de Brasília, ele partiu para o além na manhã dessa segunda-feira, 23 de abril.

A trajetória desse jogador fora de série começou bem cedo. Aos 15 anos, no primeiro semestre de 1966, saído dos campinhos de peladas do pequeno bairro do Caxias, ali nas imediações da Rádio Difusora Acreana, ele foi brilhar na equipe principal do Rio Branco. Craque pra lá de precoce!

No ano seguinte, ele mudou de casa e foi defender o Juventus, clube que se transformou na grande paixão da sua vida esportiva, como ele mesmo não cansava de dizer. A identificação com o Clube da Águia foi imediata, culminando com o título de campeão acreano de 1969. Um amor eterno!

Depois disso, como a bola que o Eduardo “Dadão” jogava, o Acre ficou pequeno. E ele foi desfilar sua arte nas divisões de base do Fluminense carioca, fazendo parte do elenco que sagrou-se campeão da Taça São Paulo de Futebol Júnior de 1971. Vislumbrava-se pra ele um futuro promissor.

A intervenção do destino, porém, não permitiu que Dadão tivesse vida longa no Fluminense. É que na hora de assinar o contrato como profissional não houve acordo entre o pai do atleta e o clube tricolor. E aí, ele foi contratado pelo sergipano Itabaiana, onde sagrou-se vice-campeão estadual.

O ataque titular do Fluminense na época, ressalte-se, era formado pelo quarteto Cafuringa, Flávio, Samarone e Lula. Dadão era cotado para substituir Samarone, num futuro muito próximo. Ele, inclusive, andou figurando como opção no banco de reservas em vários compromissos do Flu.

Em 1973, Dadão voltou para casa. E novamente foi brilhar no seu amado Juventus. Depois dessa volta, ele ainda recebeu um convite para jogar na Espanha, num time dirigido pelo amigo Vavá, centroavante campeão do mundo com a seleção brasileira. Mas ele acabou não indo.

Como era um jogador de capacidade técnica excepcional, Dadão, apesar do amor pelo Juventus, mudou de clube várias vezes. Sempre que acabava um ano, chegava algum dirigente para lhe oferecer uma boa grana. E assim, ele também defendeu o Atlético, o Rio Branco e o Independência.

Dadão foi cantado em prosa e verso em toda a Amazônia. Os times de fora do Estado que jogavam no Acre armavam sempre um esquema especial para tentar anulá-lo. Tudo se mostrava inútil. Ele era simplesmente “imarcável”. Não era possível parar a sua genialidade. Memória eterna!

 
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