Colunistas
Conversa com o Paulão
por Francisco Dandão



De passagem por Rio Branco no primeiro semestre deste 2018, tive a oportunidade de conversar com vários craques do passado do futebol acreano. Entre eles, o ex-zagueiro Paulão, um carioca de São João do Meriti que se mudou para o Acre na década de 1970 e nunca mais voltou à sua terra.

A história de amor do Paulão com o Acre, segundo relato dele, parece que estava traçada nas estrelas. Isso porque, ainda menino, na primeira vez que vestiu o uniforme de um time de futebol, ele foi dirigido justamente por um professor acreano. “Ele se chamava Klermann”, lembrou o ex-zagueiro.

No que diz respeito à posição de origem, Paulão explicou que no time do professor Klermann ele jogava de ponta-direita. Mas, ao sair da infância e se mudar para o time juvenil do Campo Grande, ele foi escalado de lateral-direito. “Não tinha vaga no ataque do Campo Grande”, relatou Paulão.

Daí, trocando a camisa do Campo Grande pela do Bonsucesso, já na categoria de aspirantes, Paulão finalmente passou a ocupar a posição de quarto-zagueiro, na qual viria a se especializar. Mesma posição que jogou pela seleção do Exército do Rio de Janeiro nas Olimpíadas Militares de 1974.

A mudança do Rio de Janeiro para o Acre aconteceu no primeiro semestre de 1976. O professor Klermann foi quem o indicou ao técnico Walter Félix de Souza (Té), do Atlético Acreano, que andava pela capital carioca em busca de jogadores para vestir a gloriosa camisa do Galo.

O técnico Té foi vê-lo num jogo amistoso entre os aspirantes do Bonsucesso e a equipe principal do Botafogo. Paulão comeu a bola e ainda marcou o gol da vitória do seu time. Suficiente para convencer o treinador. E então, duas semanas depois Paulão desembarcou em Rio Branco.

Não se mudou sozinho para o extremo Norte do país. No mesmo pacote, Walter Félix trouxe outros quatro jogadores: Pitico (também zagueiro), Guedes (atacante), Luizinho (meia) e Lula (lateral). Todos estes, um dia fizeram o caminho de volta. Paulão gostou da terra e foi ficando.

“A minha vida mudou da água para o vinho. Eu fiz um bom negócio. Apesar do futebol acreano ser amador, eu assinei um contrato para ser funcionário do Atlético ganhando um dinheiro que dava para me manter com conforto e ainda ajudar a minha família, no Rio de Janeiro”, explicou Paulão.

Depois do Galo, Paulão vestiu várias camisas de times acreanos. Jogou até quase 40 anos. Mas não abandonou o futebol após pendurar as chuteiras. Criou uma escolinha e passou a ensinar a crianças e adolescentes os segredos da bola. Aos 64 anos, ele segue na tarefa de revelar talentos!

 
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