Colunistas
Laterais
por Francisco Dandão



Acabei de ler um livro sobre os “11 maiores laterais do futebol brasileiro” (o título é esse mesmo), de autoria do jornalista Paulo Guilherme. Para cada um dos escolhidos, foi convidado alguém ligado também ao mundo do futebol para ser entrevistado sobre as qualidades do dito cujo.

Não podendo ser diferente, só tem gente boa entre os 11 titulares do livro selecionados pelo “técnico/jornalista” Paulo Guilherme. A saber: Nilton Santos, Djalma Santos, Carlos Alberto Torres, Nelinho, Wladimir, Júnior, Leandro, Branco, Leonardo, Cafu e Roberto Carlos. Cracaços!

Cada um desses ex-jogadores escreveu, em épocas distintas, o seu nome com letras maiúsculas na história do futebol do país. Quase todos passaram como protagonistas pela seleção brasileira. Digo quase todos porque o corintiano Wladimir não chegou a jogar uma Copa do Mundo.

O Nilton Santos, por exemplo, lateral-esquerdo do Botafogo de 1948 a 1964 e da seleção brasileira nas Copas do Mundo de 1950, 1954, 1958 e 1962, jogava tanto que ganhou o apelido de “Enciclopédia do Futebol”. Foi o primeiro lateral brasileiro que largava a defesa para se fazer atacante.

Conta-se que na Copa de 1958, na Suécia, no jogo contra a Austria (3 a 0 para o Brasil), a propósito dessa inovação nas funções de um lateral, Nilton Santos se mandou para o ataque sob os gritos de “volta, volta” do técnico Feola. Nilton ignorou e fez o gol. Aí o técnico gritou: “Boa, Nilton!”

E mudando de um lado do campo para o outro, o que dizer de um cara como o Nelinho, lateral-direito da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1978, aquela que os generais argentinos compraram dos peruanos, lembram-se? A curva que o Nelinho imprimia à bola ninguém jamais o fez. Jamais!

O Brasil terminou em terceiro lugar naquela Copa. Não perdeu nenhum jogo, mas deixou de ir à final por conta de um saldo de gols fajuto (a maracutaia a qual eu me referi no parágrafo anterior). O gol do Nelinho contra a Itália, porém, foi um desses lances para ser visto indefinidamente.

Da mesma forma, não tem um único cabeça de bagre entre os convidados para falar sobre os “11 maiores laterais do futebol brasileiro”, na ótica do autor. Confira a lista: Amarildo, Pepe, Clodoaldo, Wilson Piazza, Basílio, Zico, Raul Plassmann, Ricardo Gomes, Raí, Zetti e Zagallo.

Naturalmente, como é de praxe em toda lista, muita gente de peso ficou de fora. Marinho Chagas, Jorginho, Rildo, Zé Maria, Marco Antônio... Todos esses poderiam estar entre os 11. Não sei dizer, porém, quem seria substituído. O que eu sei é que o livro é show para quem gosta de futebol.

 
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