Colunistas
Conversa com o Nelson
por Francisco Dandão



Ao contrário do que acontece nos dias que correm neste século XXI, quando os jogadores não param praticamente em lugar nenhum, nas décadas de 1970 e 1980 vários dos atletas que aportavam em Rio Branco oriundos de outros estados do Brasil fincavam raízes na antiga terra das seringueiras.

O regime do futebol acreano era amador (mudou para profissional em 1989), mas todos os que se mudavam para o Acre vinham ganhando o seu dinheirinho. A maioria ganhava mais do que nos seus estados de origem. E depois conseguiam algum emprego público, para quando a bola acabasse.

Um desses jogadores que resolveu ficar no Acre depois de pendurar as chuteiras foi o atacante pernambucano/carioca Nelson Silva, descendente do famoso cangaceiro Virgulino Ferreira, vulgo Lampião. Digo pernambucano/carioca porque ele nasceu num estado e se criou no outro.

Na conversa que eu tive com o Nelson, em março deste ano, quando da minha mais recente passagem por Rio Branco, o ex-craque me contou que a sua primeira camisa, ainda na categoria infantil, foi a de um clube do subúrbio fluminense chamado Canto do Rio. Posição: lateral-esquerdo.

Ele virou atacante quando, aos 17 anos, foi convidado para fazer um teste no Botafogo, o Alvinegro de General Severiano. “Eu tinha habilidade com a bola nos pés e gostava muito de me mandar para a linha de fundo. Aí o pessoal entendeu que o meu lugar era no ataque”, disse-me o Nelson.

Ele não chegou a jogar pelo Botafogo. A concorrência era cruel e ele acabou indo para o Sul do país, onde ficou até 1976, vestindo as camisas de diversas equipes, entre as quais as do Paysandu (Brusque-SC), Humaitá (Nova Trento-SC), Inter de Santa Maria (RS) e Tamoio (Santo Ângelo-RS).

A oportunidade de se mudar para o Acre pintou em 1977. Nelson estava sem clube, só participando de partidas amistosas, nos campos de Niterói. O zagueiro Pitico, seu conterrâneo, foi quem o convidou e tratou de indicá-lo ao técnico do Atlético Acreano, professor Walter Félix de Souza.

No novo destino Nelson vestiu mais duas camisas, além da celeste do Galo: a do Independência e a do Estrelão. Antes de fixar residência em Rio Branco, porém, ele ainda teve tempo de mais duas aventuras no futebol profissional: no boliviano Jorge Wilstermann e no capixaba Colatina.

Atualmente, depois de trabalhar em várias escolinhas de futebol, Nelson ganha a vida como funcionário público municipal. Mas ele não descarta a possibilidade de treinar alguma equipe da elite do futebol acreano. Com um diploma de técnico na gaveta, ele diz que topa qualquer parada!

 
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