Colunistas
Cardápio
por Francisco Dandão



Comer uma galinha caipira num dos restaurantes especializados de Rio Branco é um manjar dos deuses. Se a companhia à mesa forem velhos amigos, aí o prazer se multiplica. O prato aguça o paladar e sacia a fome. As palavras, adjetivas ou não, elevam o espírito e estimulam a alegria.

Nessa última sexta-feira eu vivi um momento desses, na companhia dos jornalistas Senildo Melo e Manoel Façanha e do eterno baluarte do futsal Auzemir Martins. Em volta da mesa, anos e anos de janela nas diversas arenas do futebol acreano. Vivência pra mais de mil quilômetros.

Mas a conversa, pra falar a verdade, não girou unicamente sobre o tema futebol, tão caro aos quatro comensais. Em algum momento, a gente se pegou comentando fatos inusitados da nossa experiência gastronômica. Coisas estranhas que a gente acabou comendo ou que deixou de comer.

No meu caso, a experiência mais esquisita que me veio à memória foi uma caldeirada que eu comi em Boavista (Roraima), num remoto ano do passado, quando fui jogar um torneio de basquete, defendendo a seleção acreana. Uma caldeirada daquelas de comer de joelhos, tão gostosa estava.

Acontece que alguns minutos depois de jantar aquela caldeirada, preparada por um suposto chef francês, acompanhada de uma pimenta de arder os olhos, um gaiato tratou de informar que o peixe não era peixe. No dizer do informante, nós havíamos acabado de comer uma suculenta jiboia.

Àquela altura, com a comida já devidamente “agasalhada”, não teve mais jeito. Botar pra fora pela boca, ninguém conseguiu, apesar das náuseas que acometeram quase todo mundo. O nosso time teve que esperar mesmo a natureza seguir o seu curso e apenas no dia seguinte mandar o réptil embora.

Já no caso do Auzemir, a experiência gastronômica mais fora de contexto aconteceu quando ele viajou para a China, acompanhando uma seleção brasileira num desses mundiais que acontecem de tempos em tempos nos mais diversos países desse ainda imenso e adorável planetinha azul.

O Auzemir contou que a primeira complicação foi se adaptar aos pauzinhos que os orientais usam para levar a comida à boca. E depois, fora isso, os pratos, segundo o dito Auzemir, lhes pareceram tão estranhos que ele teve que passar quinze dias comendo somente ovo cozido. Doze por dia!

O Senildo e o Façanha também falaram das suas estranhezas gastronômicas. Não conto hoje porque o latifúndio que me compete ocupar a cada crônica já está acabando. Outro dia eu conto. Tomara a gente repita o encontro. Uma galinha caipira na companhia de amigos não tem preço!

 
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