Colunistas
Copa Verde, tem ou não tem?
por Augusto Diniz



A gente vai observando os passos da CBF e não dá para não desconfiar. Empurrou a decisão da realização da Copa Verde mais para frente, ou melhor ainda para o segundo semestre – nesse período ela tem mais chance de não realizar em 2019, como parece querer fazer, alegando falta de calendário (cita-se que esse ano tem Copa América no Brasil, sob a responsabilidade da confederação e agenda ainda mais apertada do futebol brasileiro).

A Copa Verde começou a ser disputada em 2014. E desde então tem sido dúvida a sua realização ano após ano. Parece sina do Norte, que não tem representação nem na Série B quanto mais na Série A. Então o que custa à CBF tentar promovê-la?

Seria interessante não ter a Copa Verde se os estaduais fossem aquela maravilha que todos gostariam que fosse: bem organizado, bom público nos estádios e jogos atrativos. Mas não é o caso. Como também não chega a ser algo excepcional acompanhar a participação da região Norte nas Séries C e D.

Por conta disso, a Copa Verde passa a representar um pouco essa necessidade de destravamento no chamado futebol periférico e de poucos recursos localizados a milhares de quilômetros do Morumbi – incluindo de unidades da federação da região Centro-Oeste e mais o Espírito Santo, que também compõem a competição.

Todos esses lugares consomem produtos de empresas patrocinadoras da CBF, até onde se sabe. A confederação tem lá sua receita anual de meio bilhão de reais, ficando com cerca de 10% como lucro. Esse montante é alcançado boa parte com dinheiro de patrocínio. Não é possível que não haja interesse dessas marcas estarem expostas também em Manaus, Belém, Brasília, Vitória etc.

Se elas não querem, que a CBF pelo menos se mobilize para viabilizar a Copa Verde dentro desse cenário de um pouco de frustração com as competições organizadas pelas federações locais (e associadas da CBF) dos estados e do Distrito Federal.

O que não pode é tudo caminhar no banho-maria, como se nada tivesse acontecendo com futebol brasileiro longe dos grandes centros, ali entre o Rio-São Paulo. A gente sabe que não é bem assim. Há algo errado e é necessário fazer o mínimo.

A CBF precisa encontrar um meio rápido de sair dessa indefinição com relação à Copa Verde, por que mais uma vez a percepção é que a entidade vai mostrando desprezo com aquilo que não faz diferença no cofre, embora seja essencial para descentralizar o futebol brasileiro.

 


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