Colunistas
E os dados rolaram
por Francisco Dandão



Rolaram os dados na nova edição da Copa do Brasil. Soma quase uma centena de equipes de todos os estados brasileiros os participantes da festa. Milhares de profissionais mostram o seu trabalho, neste que é considerado o mais democrático dos campeonatos promovidos em território nacional.

Os clubes das regiões mais afastadas, aquelas que somente acompanham os jogos dos times de maior apelo pela televisão, tem a sua melhor chance de mostrar serviço na Copa do Brasil. Mostrar serviço e, naturalmente, dar uma reforçada nos cofres quase sempre combalidos.

Reforçar os cofres, aliás, talvez seja a maior motivação dos pequenos clubes. É que pra fazer um único joguinho cada participante leva quinhentos paus pra casa, independente do resultado conquistado no gramado. Entrou em campo e já fatura essa “merreca”. Um dinheirinho providencial.

No caso de um desses times menores passar para a segunda fase, então, isso significa um verdadeiro bônus: mais dinheiro e, por conseguinte, mais uma oportunidade de mostrar a sua bola para o país. Os comentaristas esportivos os tratam como zebras, mas tudo bem, vida que segue.

A julgar pelos que jogam apenas uma vez, pode-se dizer que os times “mais fracos” que vão à segunda fase são zebras mesmo. Veja-se que nos primeiros 15 jogos desse ano, apenas quatro destes eliminaram os “mais fortes”: Foz do Iguaçu (PR), Santa Cruz -RN, Uniclinic-CE e Mixto-MT.

Alguns sofreram goleadas elásticas. Casos dos piauienses River e Altos. O primeiro levou um pau de 5 a 0 do Fluminense. O segundo foi massacrado pelo Santos (7 a 1). Eu vi esses dois jogos e tive a impressão, lá pelas tantas, que se tratavam de confrontos entre profissionais e juvenis.

Por outro lado, é verdade que alguns dos mais fracos engrossam o caldo e fazem duros confrontos com os adversários famosos. Foi o que se viu no jogo do Juazeirense-BA (série D) contra o Vasco-RJ (série A): 2 a 2. E no jogo do Ferroviário-CE (série C) contra o Corinthians (série A): 2 a 2.

No final das contas, paradoxalmente ao que costuma motivar as disputas esportivas, que é a divisão do mundo entre vitoriosos e derrotados, ninguém perde na Copa do Brasil. Uns saem, outros continuam, uns ganham mais, outros ganham menos, mas ninguém perde. Fórmula perfeita!

Sim, eu sei, na próxima quarta-feira vai ser a vez dos times do Acre estrearem na competição. Rodada dupla, por conveniência da CBF. Fato inédito até aqui. Na preliminar, o Galvez enfrenta o ABC-RN. E na partida de fundo, jogam Rio Branco e Bahia. Dá pra ganhar as duas. Ou não?

 


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