Colunistas
O mago e o centenário do Estrelão
por Manoel Façanha



O nosso personagem hoje é Marcelo José Altino, 75 anos, carioca, segundo ele nascido no Leblon (cidade do Rio de Janeiro, onde mora Chico Buarque). Boêmio, cativante e cheio de jargões, ele sempre rende boas pautas esportivas aos repórteres.

Profissional refinado e capaz de realizar leituras de jogos de deixar os analistas de plantão enciumados, ele dirige na atual temporada o modesto São Francisco.

Meu primeiro contato com Marcelo Altino, então um treinador ainda cinquentão, ocorreu em 1997, quando da primeira passagem dele pelo Rio Branco. Na época, eu ainda era “foquinha” de redação do jornal O Rio Branco, mas já com a mente bem aguçada e questionadora para época, tanto que era chamado de “pentelho” por alguns dirigentes, sempre fui bem tratado pelo técnico Marcelo Altino, esse enxergando minha capacidade de encontrar erros e acertos nos seus variados sistemas táticos, assim como outros fatores do dia a dia do clube, tanto que passou a me tratar de forma mais “privilegiada”.

E nessa onda de esticar uma conversa aqui e outra ali, o folclórico, educado e inteligente Marcelo Altino passou a fazer parte do meu círculo de amizades, não somente pela capacidade de ser um treinador estratégico e de boas pautas, mas pela sua capacidade emocional de transferir energias positivas aos seus atletas, isso sem falar do seu grande bom humor.

Entre as grandes proezas da carreira desse fenomenal treinador podemos citar a conquista da Copa Norte de 1997, após empate sem gols do Rio Branco contra o Clube do Remo na capital acreana. No jogo da volta, em Belém do Pará, o título era dado como certo ao time azulino, isso levando em conta a circunstância da primeira partida (0 x 0). Na véspera da partida decisiva, parte da diretoria alvirrubra já havia entregado os pontos e o troféu de campeão para o Clube do Remo. No entanto, o técnico Marcelo Altino era contrário a esse pensamento e durante várias entrevistas à imprensa paraense deixou claro que o Rio Branco, mesmo pressionado por mais de 30 mil torcedores remistas, sairia do Mangueirão com o troféu de campeão em mãos. Não deu outra, o Rio Branco não somente saiu com o troféu de campeão naquela decisão, mas saiu aplaudidíssimo de pé pelo torcedor remista.

Então era isso. A história acima é simplesmente um exemplo para os dirigentes do Rio Branco não se esquecerem das origens de quem realmente fez e faz a história do clube. Não adianta homenagear empresários que colocam dinheiro hoje no clube e esquecer grandes personagens da história do clube. O torcedor e a imprensa gostam de histórias bem contadas e com ares de emoção, não de bajulação. Portanto, tratem de fazer uma pesquisa interna e comecem a enumerar as dezenas de atletas, assim como de pessoas que contribuíram para a existência da agremiação, seja de empresários, diretores, conselheiros e até mesmo jornalistas, para as devidas homenagens.

E, mesmo ainda não sendo convidado, já me escalo para a festa do centenário do Estrelão. No entanto, espero me emocionar com as dezenas de homenagens às pessoas que realmente contribuíram para a história do centenário do clube. Quero ver e fotografar o doutor Sebastião de Melo Alencar e tantas outras figuras emblemáticas do Rio Branco erguendo sua estatueta em mãos!

 


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