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Tradição a perder de vista
por Francisco Dandão



Escrevo algumas horas antes da partida entre Rio Branco e Atlético pela decisão do returno do campeonato acreano de 2019. Trata-se de um clássico, onde qualquer resultado pode ser considerado normal. Clássico não tem favorito, ainda que um time possa estar melhor do que o outro.

Rio Branco, Atlético e Independência são os clubes de maior tradição e longevidade no futebol acreano. O Estrelão foi fundado em 1919; o Galo em 1952; e o Tricolor do Marinho Monte em 1946 (inicialmente se chamava Ypiranga). Muito suor e glórias encharcam as camisas de cada um deles.

No que diz respeito a títulos, entretanto, o Rio Branco deixa na poeira os seus dois adversários. Só na era do futebol profissional, que começou em 1989, o Estrelão levantou 16 “canecos” (1992, 1994, 1997, 2000, 2002, 2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2010, 2011, 2012, 2014, 2015 e 2018).

O Atlético e o Independência, juntos, somam apenas cinco títulos nesses tempos de profissionalismo. O primeiro venceu em 1991, 2016 e 2017. Já o Tricolor venceu em 1993 e 1998. Mas ambos, ressalte-se, disputaram várias finais nos últimos 30 anos. É tradição a perder de vista!

Alguns cracaços de bola vestiram as camisas dos três times. Nos tempos do amadorismo, assim que acabava uma temporada, os dirigentes tratavam de tirar os melhores jogadores dos adversários. E apesar de o regime ser amador, esses tais craques eram contratados quase a peso de ouro.

Lembro, enquanto desenvolvo esse raciocínio de hoje, três desses nomes que vestiram (e honraram) as três camisas: o meia Dadão (que um dia andou pelo Fluminense-RJ), o goleiro Zé Augusto (que jogou na base do Flamengo-RJ) e o volante Tadeu Belém, oriundo do futebol amazonense.

E lembro também de dirigentes que dedicaram anos da suas vidas pelas cores dos referidos clubes. Casos de Adauto Frota e Fernando Diógenes (Atlético); Lourival Marques, Sebastião Alencar e Edmir Gadelha (Rio Branco); Adalberto Aragão e Eugênio Mansour (Independência).

Foi a partir do trabalho desses dirigentes, entre outros, que o futebol acreano começou, nas décadas de 1970 e 1980, a importar jogadores de outros estados. O Galo buscava jogadores no Rio de Janeiro, o Rio Branco trazia gente do Paraná e o Independência preferia o interior de São Paulo.

Pois bem. O certo é que o título do returno do campeonato acreano de 2019 estará em boas mãos com qualquer um dos vencedores. E que venham as finais, contra o Galvez, que venceu o primeiro turno e ficou de boa esperando o bicho que vai dar. Vai ter emoção nos gramados do Acre!

 


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