Colunistas
Tapete de porão
por Francisco Dandão



O genial cronista Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto, no batismo), carioca da gema, falecido nos idos da década de 1960, tinha uma frase emblemática quando queria dizer que alguém andava de mal a pior. No dizer dele, aquele referido alguém estava “mais por baixo do que tapete de porão”.

Depois dos últimos resultados do campeonato brasileiro da Série D, eu não pude deixar de fazer uma analogia entre a frase do Stanislaw/Sérgio e os representantes do futebol acreano na competição. O Rio Branco e o Galvez foram eliminados antes mesmo da última rodada da primeira fase.

O Rio Branco, então, pelo amor de Deus... O Estrelão perdeu quatro das cinco partidas disputadas. Só empatou uma, meio que “no bambo”, jogando em casa, contra o amazonense Fast. Pior do que isso: foi goleado duas vezes (São Raimundo-RR 6 a 1 e Fast-AM 5 a 0). Uma vergonha!

Seguramente esse é o pior time que o Rio Branco montou na era do futebol profissional acreano. Independentemente da vontade que os atletas demonstram durante os jogos, é certo que alguns deles não conseguiriam vagas nem nas equipes mais ruins que disputam o campeonato do Calafate.

Antes do início da competição, aliás, o cronista Paulo Henrique Nascimento já havia me dito de que nem que os torcedores ficassem ajoelhados dois dias sobre caroços de milho, ainda assim o Estrelão não ganharia de ninguém. Pensei que era exagero dele. Mas vi que não era não.

E por falar nisso, acho que devo retificar o que eu disse dois parágrafos atrás, quando afirmei que esse é o pior time montado pelo Rio Branco na era do futebol profissional. Melhorando o meu pensamento, acho que esse é o pior time da história desse clube que já deu muitas glórias ao futebol acreano.

Eu sei que os problemas financeiros do clube são terríveis. Sei também que os atuais dirigentes não tem nada a ver com a estupidez de quem os precedeu. Mas e daí? Era preciso ter bom senso para perceber que não tinham como montar um bom time. O Estrelão é muito grande para tanta vergonha.

Por outro lado, se não se pode afirmar que o Galvez deu vexame, pode-se dizer que decepcionou. Ao deixar de fazer o dever de casa, não vencendo as suas partidas na Arena da Floresta, condição obrigatória para disputas no sistema de ida e volta, o time militar se despediu precocemente do game.

Não sei bem o que aconteceu com o Galvez. Olhando nome por nome, constata-se que vários jogadores de qualidade fazem parte do elenco do time. Talvez tenha faltado foco, talvez a concentração não tenha sido a necessária, talvez tenha faltado um psicólogo... Sei lá... Haja tapete de porão... Haja!

 


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