Colunistas
Cem anos depois
por Francisco Dandão



Não é pra qualquer um chegar aos 100 anos de vida. O mesmo se aplica às entidades. Para um clube de futebol, então, chegar ao centenário se constitui numa verdadeira façanha. São tantos os percalços no meio do caminho que muitos fecham as portas bem antes de atingir essa marca.

O Rio Branco Futebol Clube, tradicionalíssima agremiação do futebol acreano, entretanto, é um desses, digamos, sobreviventes e resistentes ao passar do tempo. Fundado em 8 de junho de 1919 por um grupo de desportistas apaixonados por futebol, o Estrelão continua na estrada.

Pelo que consta nos registros históricos, tudo começou quando um advogado amazonense de nome Luiz Mestrinho Filho, que estava na capital acreana para presidir um inquérito na agência dos Correios, chamou para uma reunião uma turma de notáveis do então Território Federal do Acre.

A tal reunião, ainda de acordo com os registros, foi realizada no Éden Cine Theatro, antecessor do Cine Theatro Recreio (de saudosa memória), com a presença, entre outros, dos senhores Mário de Oliveira, Conrado Fleury, Pedro Feitosa, Nathaniel de Albuquerque e Francisco Lima e Silva.

No mesmo dia da fundação já foram definidas as cores do clube (vermelho e branco) e escolhido o primeiro presidente (Nathaniel de Albuquerque). O clube também ganhou rapidinho um terreno, doação do prefeito Augusto Monteiro. Ou seja, já nasceu organizado e grande.

É certo que o ano do centenário do alvirrubro da Avenida Getúlio Vargas não tem sido assim tão glorioso. O time tem amargado uma série de derrotas, a começar pela perda da vaga na Copa do Brasil de 2020, passando pelo desastre que foi a participação no campeonato brasileiro da Série D.

Além do mais, como se todas as maldições do mundo tivessem resolvido cair sobre as cabeças dos riobranquinos, o clube acumulou uma dívida gigantesca na justiça do trabalho, fruto de gestões equivocadas nos últimos anos. E até a sede social suntuosa veio abaixo no centro da cidade.

Mas em contraponto com essas desgraças, que eu torço para ser superadas o mais rápido possível, é producente lembrar às aves de mau agouro que profetizam o fim do clube as tantas conquistas que esse clube já teve. Só de campeonatos profissionais somam 16 as conquistas do Estrelão.

E sem falar, mas já falando, daquela primeira Copa Norte, em 1997, que o Rio Branco tomou do Clube do Remo em pleno Mangueirão. Por tudo isso, e por muitas outras “coisitas” mais, eu estou no grupo dos que acreditam existir uma luzinha brilhando no fim do túnel do clube. Parabéns, Estrelão!

 


© Copyright 2004 - 2019 / Todos os direitos reservados a Futebol do Norte