Colunistas
Histórias do Gilmar
por Francisco Dandão



Quem acompanhou o futebol acreano da década de 1980 e início dos anos de 1990 lembra bem do volante Gilmar Sales Bento. Com a camisa número cinco às costas, ele impunha respeito à frente dos zagueiros das equipes que defendeu (Atlético, Independência, Rio Branco e Juventus).

O que pouca gente sabe, entretanto, é que o Gilmar, quando adolescente, nem por um momento pensou em se tornar jogador de futebol. Nascido e criado no bairro da Base, no centro de Rio Branco, o negócio dele era pescar de tarrafa e bater peladas nos campinhos da periferia da cidade.

Tanto que ele não chegou a procurar nenhum clube para se iniciar na profissão. Ele disputava um campeonato de subúrbio, vestindo a camisa de um time formado pelo radialista Campos Pereira, quando este último entendeu que a bola do volante era grande demais para ficar escondida.

E então, a partir dessa percepção do radialista é que Gilmar foi levado direto para se integrar à seleção acreana de juniores que disputaria o campeonato brasileiro da categoria em 1979. Ele chegou e já foi logo barrando o então titular da posição, o seu futuro parceiro Edson Izidório.

Depois disso, todos os grandes clubes locais passaram a disputar o futebol daquele jovem ex-pescador. E aí ele passou a ganhar a vida com os pés, adquirindo, ao longo do tempo, fama, emprego e algum dinheiro. Ao voltar do campeonato de seleções, ele já foi direto morar na sede do Galo.

Eu fiquei sabendo dessas coisas todas na minha recente passagem por Rio Branco quando conversei por algumas horas com o Gilmar, na casa de dois andares onde ele mora, em frente à Gameleira. Fiquei sabendo dessas coisas e de muitas outras histórias que ele conta com um sorriso no rosto.

Histórias como a do dia em que ele deu um “cascudo” no goleiro Ilzomar. Eles jogavam no Juventus. Jogo contra o Atlético. E aí, lá pelas tantas, o Ilzomar meteu as mãos na bola fora da área, sem necessidade. Gilmar deu o “cascudo” e disse que depois passou uma semana com medo.

Ou então, a história da comemoração de mais de um mês depois do título pelo Atlético, em 1987. Fazia 19 anos que o Galo não era campeão. Aí o Gilmar se juntou aos irmãos/ponteiros Dim e Ley, botaram o técnico Júlio D’Anzicourt num fusca e saíram tomando todas nos botecos do bairro 15.

E, por último, a história que ele protagonizou em 1998, depois de trabalhar como técnico do Independência. Campeão, ele foi pago com um cheque sem fundo. O cheque bateu e voltou várias vezes na boca do caixa. Gilmar não teve dúvidas: foi lá na sede do clube e sequestrou a taça. Rsrs!

 


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