Colunistas
Obrigação de Vencer
por Francisco Dandão



Escrevo na manhã de sexta-feira, algumas horas antes do jogo de abertura da Copa América entre Brasil e Bolívia. Escrevo antes, mas não me passa pela cabeça que os bolivianos poderão impor alguma resistência à seleção brasileira. No meu entender o Brasil tem que golear os “cambas”.

Esse meu entendimento, aliás, é compartilhado por várias pessoas com as quais eu troquei figurinhas nos últimos dias. O meu mano Toinho Bill me disse que “os bolivianos são mais ruins do que sorvete de jiló”. E o Joraí me garantiu que os torneios deles “ainda são disputados com bolas de balata”.

Nas conversas informais, tudo é confiança. Na manhã dessa mesma sexta-feira, quando eu tomava café da manhã numa padaria, ouvi um senhorzinho já passado na casca do alho querendo apostar “quinhentos paus” com um sujeito bem mais jovem. “Dou três gols de vantagem”, dizia o velho.

O jovem estava animado com a proposta do idoso, mas pediu quatro gols de vantagem. “Três gols é pouco. Boliviano é ruim mesmo. E o Brasil está com fome de gols. Os hondurenhos sabem disso muito bem”, disse o jovem. Não vi o final da conversa. Mas acho que eles fecharam a aposta.

Além do mais, o retrospecto histórico é amplamente favorável à seleção brasileira. Desde 1930 até hoje foram 29 partidas disputadas, com 20 vitórias do Brasil, cinco triunfos deles e quatro empates. Detalhe: todas as vezes que eles ganharam a partida foi disputada em La Paz ou Cochabamba.

La Paz e Cochabamba, como se sabe, são cidades perto das nuvens. La Paz está situada a quase quatro mil metros de altitude. E Cochabamba fica a dois mil e quinhentos metros. Alturas impraticáveis para se jogar futebol para quem vive ao nível do mar. A maior arma dos colhas é a altitude.

Sem falar, mas já falando, que houve várias goleadas do Brasil no meio desses 20 triunfos. A maior delas em 1949, no Pacaembu: 10 a 1. Depois teve outras quatro bem expressivas: 8 a 1, em 1953, em Lima; 8 a 0, em 1977, em Cali; 6 a 0, em 1993, em Recife; e 6 a 0, em 2002, em Goiânia.

Ou seja, os bolivianos são fregueses de caderneta da seleção brasileira. E, assim sendo, o Brasil tem obrigação de vencer na estreia dessa Copa América de 2019. Não apenas vencer, como golear. Se não for de goleada, eu vou considerar que a nossa atual seleção também não está com nada.

Enfim, apesar dessa crônica ter sido escrita antes do jogo, eu acredito que não teria melhor adversário do que a Bolívia para a estreia do Brasil nessa Copa América. Depois o Brasil pega a Venezuela, em Salvador, e o Peru, em São Paulo. Um verdadeiro mamão com açúcar esse grupo do Brasil!

 


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