Colunistas
Podres e Maduros
por Francisco Dandão



A Venezuela vive um paradoxo. Enquanto a presidência da República é exercida por um certo “maduro”, os alicerces da sociedade apodrecem. Nas ruas um clima de guerra civil joga irmãos contra irmãos. Não tem comida ou remédios para o povo. E o litro da gasolina custa menos do que o da água.

Quase tudo nesse país sul-americano ruiu em um período muito rápido. Quando eu andei por lá, no final de 2001, apesar de já haver protestos barulhentos contra o então presidente Hugo Chávez (morto em março de 2013), vivia-se muito bem. Nada sinalizava para o caos que viria a seguir.

Era uma época em que o futebol deles andava mais por baixo do que “tapete de porão” (expressão do saudoso cronista carioca Stanislaw Ponte Preta). Quase nenhum venezuelano tinha interesse no jogo dos pontapés. Eles preferiam o beisebol, o boxe, o vôlei, o basquete, o automobilismo...

E talvez justamente por essa falta de interesse dos venezuelanos pelo futebol, tanto os times quanto a seleção de lá viviam pegando goleadas dos seus adversários. Jogar contra a Venezuela era contar com os pontos de maneira adiantada. Perder da Venezuela era tido como verdadeiro vexame.

Desse tempo pra cá, porém, o futebol deles cresceu de maneira exponencial. A popularidade do esporte ainda não é maior do que a do beisebol. Mas já atinge níveis muito próximos. Os venezuelanos aprenderam a jogar bola e não são mais sacos de pancadas de adversários famosos.

O futebol venezuelano melhorou tanto que agora os jogadores nascidos por lá viraram até produto de exportação. Dezenas deles atuam fora do país. Tem gente na Espanha, em Portugal, na Itália, na França, no México, na Inglaterra e até no Brasil (Soteldo, do Santos; e Guerra, do Palmeiras).

Pois é esse renovado e crescente futebol venezuelano que o Brasil vai enfrentar nesta terça-feira (18 de junho), em Salvador, pela Copa América. Eles vem de um empate contra o Peru em 0 a 0, enquanto o Brasil vem de uma vitória “razoável” (3 a 0 é muito pouco) contra os péssimos bolivianos.

A seleção brasileira é melhor, lógico. Nenhuma dúvida quanto a isso. É melhor e deve ganhar com uma boa margem de gols. Mas, para isso, não pode descuidar da concentração e do foco. E precisa jogar mais do que o fez contra a Bolívia. Naquela oportunidade, o Brasil jogou apenas um tempo.

Para completar essa crônica de hoje, quero fazer uma observação sobre as cores da camisa. A dos venezuelanos é deveras bonita. Eles a chamam de “Vino Tinto” (Vinho Tinto). A amarela tradicional do Brasil, como se sabe, é a “Canarinho”. Mas eu gosto mais dessa branca usada contra a Bolívia!

 


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