Colunistas
A próxima pedra
por Francisco Dandão



Não tenho muita certeza se esse título aí é o mais adequado para falar de um confronto entre as seleções de futebol do Brasil e do Paraguai. Talvez eu tenha lido muito Drummond de Andrade nos últimos dias... E aí, tudo se encaminha para a ideia daquela pedra do poema, no meio de um caminho.

É verdade que os paraguaios costumam engrossar o caldo quando jogam contra os brasileiros. Nos últimos quatro confrontos, foram três empates (0 a 0, em 2011, pela Copa América; 1 a 1, em 2015, também pela Copa América; e 2 a 2, em 2016, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo).

A vitória por boa margem só veio em 2017, no returno das mesmas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. O jogo foi realizado em São Paulo e a seleção brasileira sapecou clássicos 3 a 0. Naquela oportunidade, ressalte-se, o Brasil já estava voando, sob o comando do senhor Tite.

Recuando-se no histórico das duas seleções, o que as estatísticas demonstram é que os jogos entre os descendentes de Cabral (o Pedro, não o Sérgio, viu?) e de Francisco Solano Lopez sempre foram duríssimos. O Brasil leva vantagem, é claro, mas sempre por placares apertadinhos.

Goleadas, mesmo, foram poucas e, provavelmente, circunstanciais. Teve uma de 5 a 2, em Buenos Aires, na Copa América de 1925; outra de 5 a 0, também em Buenos Aires, na Copa América de 1937; e mais outra de 7 a 0, no Rio de Janeiro, na Copa América de 1949... Não foram muitas não.

Sim, faltou contabilizar duas goleadas do Brasil nesse parágrafo anterior. O Brasil meteu meia dúzia de gols a zero nos exportadores de cigarro, uísque e outras bugigangas (tudo falso, é o que se diz). Ambas as vezes em amistosos: no Rio de Janeiro, em 1979, e em Goiânia, em 1980.

É fato, também, que de vez em quando eles produzem um desses craques acima da média. Alguns vieram, ao longo do tempo, gastar a sua bola no Brasil. Lembro de três enquanto escrevo: Gamarra (Inter, Flamengo e Palmeiras), Arce (Grêmio e Palmeiras) e Romerito (Fluminense).

Nessa seleção que vai enfrentar o Brasil, três paraguaios jogam atualmente no país da “grampolândia” (já não se fere com o “ferro”, mas sim com o “grampo”, dizem os analistas políticos do planalto): Gatito Fernandez (Botafogo), Gustavo Gómez (Palmeiras) e Derlis González (Santos).

Gatito é um goleiro de grande frieza e bons reflexos. Gómez é um zagueiro de pouca técnica, mas de raça excepcional. E González é um atacante meio barro meio tijolo. Mas tudo isso, retrospecto e “brasiguaios”, me parece pouco para ser a pedra lá do título. Cebolinha neles, moçada!

 


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