Colunistas
Outra tempestade
por Francisco Dandão



Nada é tão ruim que não possa piorar. Às vezes, quando o sujeito pensa que está no fundo do poço, ainda existem mais alguns metros no rumo de baixo. E a impressão que a criatura tinha de que a descida havia chegado ao fim, e que era hora do movimento mudar para cima, não se confirma.

E então, eis que na situação seguinte as coisas correm da pior maneira possível. Nesse momento, os envolvidos podem seguir dois rumos: alguns se enchem de esperança e brios e garantem que passou da hora de iniciar a escalada, enquanto outros ficam esperando o instante de jogar a toalha.

Essas reflexões me vem à cabeça por conta do desempenho do Atlético Acreano no Campeonato Brasileiro da Série C. O Galo passou o primeiro turno no meio de uma tempestade, vencendo uma única partida das nove disputadas. O início do returno se configurava ideal para uma virada.

O que ocorreu, entretanto, é que atrás daquela tempestade do primeiro turno sobreveio outra tormenta de pior intensidade. E o time celeste, que ainda não havia perdido em casa, sucumbiu frente ao visitante Volta Redonda, time do qual não se pode dizer seja essa Brastemp toda não.

Com a derrota para o Volta Redonda, o Atlético passou para a décima primeira rodada da competição ferrenhamente agarrado à lanterna do Grupo B. O time acreano, a essa altura, soma míseros sete pontos em 30 disputados. Alguém tem que avisar ao Galo que a luz para ser boa tem que vir de cima.

Menos mal que os dois adversários diretos na luta do Atlético contra o rebaixamento à Série D também não conseguiram se distanciar na tabela de classificação: o mineiro Boa Esporte só empatou, em casa, com o Clube do Remo; e o mato-grossense Luverdense perdeu do gaúcho Juventude.

O campeonato do glorioso Atlético Acreano, portanto, daqui pra frente, é basicamente contra esses dois times. É jogar num lugar e ficar de olho na distância, onde ocorrem os confrontos desses adversários. Secar mineiros e mato-grossenses agora é tão importante quanto torcer para o Galo.

Ressalte-se que o Atlético vai pegar Boa Esporte e Luverdense em casa. Jogos de vida ou morte. Ganhar desses dois pode evitar uma descida ao inferno. Combates onde o coração deve ser transplantado do peito para o bico da chuteira. Só a condição técnica agora já não é mais suficiente.

Da minha parte, embora eu tenha consciência de que o brejo da vaca atleticana esteja ali bem à vista, espero que a tempestade uma hora chegue ao fim e que não sobrevenha outra tão imediatamente. Com o tempo seco e o céu de brigadeiro, a tendência é que a lama do brejo desapareça. Oxalá!

 


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