Colunistas
Desonestos e chorões
por Francisco Dandão



Há 41 anos, no dia 21 de junho de 1978, a seleção da Argentina carimbou seu passaporte para a final da Copa do Mundo realizada no próprio país, ao golear a seleção do Peru pelo placar de 6 gols a 0. Uma vitória maiúscula, não fossem as suspeitas de suborno ao goleiro dos peruanos.

O Peru tinha uma boa seleção naquele mundial. Tanto que havia passado da fase de grupos em primeiro lugar, superando a Holanda, a Escócia e o Irã. Depois, na segunda fase, eles perderam por 3 a 0 para o Brasil. Aí, a Argentina precisava vencer por quatro gols. Venceu de seis. Improvável!

A Argentina à época vivia um regime de exceção, comandada com mão de ferro por uma penca de generais do exército lá deles. Uma ditadura sangrenta que vazia dezenas de vítimas por dia. Para melhorar a autoestima do povo, então, era vital que a Copa ficasse em casa. Nada diferente disso.

Um detalhe revelador daquele jogo é que o goleiro do Peru, um certo Ramón Quiroga, era argentino de nascimento. Então, somando dois mais dois, concluiu-se que rolou uma mala preta por trás das bombas. O futuro se encarregaria de demonstrar que o goleiro peruano “abriu as pernas” mesmo.

A Argentina, portanto, acabou sagrando-se campeã da Copa de 1978, por conta desse subterfúgio, digamos, pouco esportivo. Aí, oito anos depois, no dia 22 de junho de 1986, na segunda vez em que a Copa foi realizada no México, novamente os argentinos venceram por conta de uma fraude.

Dessa vez, o recurso usado pelos argentinos foi um gol feito com a mão, por ninguém menos do que o famigerado anão Maradona. O tal “gol de mão” aconteceu nas quartas-de-final, contra a Inglaterra. A Argentina ganhou por 2 a 1 e mandou os súditos da rainha mais cedo para Londres.

Pior do que fazer um gol com a mão foi o argumento usado depois pelo autor da malandragem (no mau sentido). Pois o pequenino argentino justificou dizendo que a bola teria entrado no gol da Inglaterra por pura intervenção divina. Segundo o sujeito, aquela teria sido “la mano de Diós”.

Trocando em miúdos, as duas copas vencidas pela Argentina só o foram por conta de fraudes: um goleiro comprado por um punhado de soles (nem deve ter sido tanto assim) e um gol feito com a mão, flagrado pelas câmeras de televisão e visto por bilhões de pessoas ao redor do planeta.

Com todo esse histórico, os caras ainda se atribuem ao direito de chorar pela derrota para o Brasil na Copa América recém concluída, dizendo que foi tudo uma grande armação. Pra mim, a síntese de tudo é a seguinte: o argentinos são desonestos quando podem e chorões quando não podem!

 


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