Colunistas
Histórias do Mário Sales
por Francisco Dandão



Reformado pela Polícia Militar do Acre e atualmente trabalhando na Prefeitura Municipal de Rio Branco, Mário Sales, ex-volante de três grandes clubes acreanos, é uma criatura de memória privilegiada, com a qual se pode passar o dia inteiro conversando sobre o passado do futebol regional.

Pelo menos foi essa a impressão que eu tive quando conversei com ele na minha recente estada na capital acreana, no mês de maio deste ano. Conversamos por umas boas duas horas e ele não hesitou em abrir o seu baú de histórias, bem como de falar sobre fatos da sua vitoriosa carreira.

Histórias, por exemplo, como as dos sacos dinheiro que ele ganhou duas vezes para mudar de clube. Primeiro, em 1985, quando ele trocou a camisa do Rio Branco pela do Atlético Acreano. E depois, no ano seguinte, quando ele deixou o Galo e foi se agregar ao elenco do Independência.

“Eu estava bem no Rio Branco. Tinha sido campeão do Copão da Amazônia de 1984 e ganhava uma quantia razoável. Só poderia sair se a compensação financeira fosse mesmo muito boa. Aí um diretor do Atlético, Máximo Damasceno, acenou com uma proposta irrecusável”, disse Mário.

“Para você ter uma ideia, professor, era tanto dinheiro que me foi entregue num saco desses grandes de padaria. Em peguei a bufunfa, abri o porta-malas do meu Passat, olhei para um lado e para o outro, joguei tudo lá dentro e só fui contar quando cheguei em casa”, explicou o ex-craque.

No ano seguinte, 1986, o dirigente Adalberto Aragão, do Independência, entendeu que Mário era imprescindível no meio de campo do Tricolor do Marinho Monte. E aí, “bem acostumado”, Mário Sales disse-lhe que só iria se ganhasse outro saco de dinheiro. Aragão tratou de pagar.

Outra boa história do Mário foi a de um amistoso contra o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, em 1982, quando ele foi barrado pelo técnico paraense Osvaldo Dahas. Na cabeça da área do Estrelão, no lugar do Mário, estava escalado o promissor Mauricinho, que era destaque no time juvenil.

Mário Sales disse que havia faltado ao treino recreativo e que, por isso, Osvaldo Dahas havia decidido deixa-lo no banco. Mas aí entrou em ação o então diretor Toniquim, cujo entendimento era o de que Mauricinho seria “queimado” num jogo daqueles. Mário jogou e Dahas “pegou o beco”.

Encerramos a conversa com o Mário escalando a sua seleção acreana de todos os tempos. Para ele esse time formaria com: Ilzomar; Paulo Roberto, Chicão, Neórico e Duda; Mário Sales, Carioca, Dadão e Carlinhos Bonamigo; Gil e Paulinho. Técnico: Ticão. Dirigente: Sebastião Alencar.

 


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