Colunistas
Almirante Acreano
por Francisco Dandão



Aos 67 anos de vida, a Associação Desportiva Vasco da Gama, uma das equipes mais tradicionais do futebol acreano, denominada Almirante da Fazendinha, segue singrando os rios da Amazônia com determinação e altivez, alternando águas turbulentas com instantes de alguma calmaria.

Por águas turbulentas entenda-se a penúria financeira dos últimos tempos, que não permite a formação de elencos competitivos para brigar por títulos, além de algumas competições em que o time virou saco de pancadas, a ponto de ser rebaixado para a segunda divisão do campeonato acreano.

Por instantes de calmaria, ressaltem-se os anos em que o time conseguiu chegar ao lugar mais alto do pódio regional, batendo todo mundo que cruzou a sua frente. Casos do campeonato de 1965, ainda na época do amadorismo (marrom), e dos campeonatos profissionais de 1999 e 2001.

Sim, o clube conquistou também o Campeonato Acreano da Segunda Divisão de 2013, depois de haver sido rebaixado em 2011. Quatro títulos no total. Quase nada se comparado com os grandes clubes do futebol acreano. Mas de bom tamanho se consideradas as enormes dificuldades do Almirante.

Fora esses quatro títulos, o clube bateu na trave em pelo menos cinco oportunidades, ficando com o vice-campeonato: 1963 (perdeu a final para Independência), 1964 (derrotado pelo Rio Branco), 1967 (sucumbiu diante do GAS), 2002 (Rio Branco campeão) e 2003 (Rio Branco campeão).

Uma curiosidade: na derrota para o GAS (Grêmio Atlético Sampaio, time criado pelo Exército Brasileiro), segundo o centroavante do Vasco, Danilo Galo, o principal jogador do adversário foi o árbitro, que almoçara no quartel da corporação, a convite dos militares, no dia da decisão. Rsrs!

Ressalte-se que a história desse clube registra o nome de inúmeros jogadores acima da média que um dia vestiram a sua camisa. Enquanto escrevo, lembro pelo menos uns dez deles. Cito-os: Danilo Galo, Messias, Viegas, Gilson, Jersey, Fuzarca, Café, Benevides, Bidu, Bico-Bico...

Esses citados no parágrafo anterior todos do período amador. Enquanto que durante o profissionalismo, são incontáveis os bons jogadores que defenderam o clube. Novamente cito alguns que me ocorrem: Faísca, Evilásio, Ciro, Lelão, Jefferson, Siqueira, Daniego, Pisika... Muitos!

O Almirante da Fazendinha, enfim, por conta da persistência de alguns abnegados, segue um personagem bem vivo da história do futebol acreano. Como na estrofe do hino do estado, não deixa que nenhum estrangeiro ofenda os seus brios e continua na luta “sem recuar, sem cair, sem temer”.

 


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