Colunistas
Caminho Inverso
por Francisco Dandão



Alguma coisa que eu ainda não consigo compreender está em curso na economia do futebol brasileiro. É que mesmo o país não indo tão bem das pernas no que diz respeito à sua moeda, os clubes desandaram a repatriar jogadores e, mais do que isso, a contratar europeus para vestir suas camisas.

São muitos os nomes que deram o seu rolê pelos gramados estrangeiros e que resolveram voltar para dar os seus chutes em gramados nacionais. Alguns passaram tanto tempo por lá que já falam português com sotaque. Outros, é certo, não chegaram a esquentar o lugar por onde andaram.

Enquanto escrevo, lembro de pelo menos uma dúzia dessas criaturas que foram, viram e voltaram. Casos, por exemplo, de Vagner Love, Paulo Henrique Ganso, Rodriguinho, Diego Tardelli, Hernanes, Alexandre Pato, Gil, Júnior Urso, Pedro Rocha, Tchê Tchê, Vítor Bueno, Rafinha...

Alguns, como Rafinha (Flamengo), que trocou o frio da Alemanha pelo calor do Rio de Janeiro, e Hernanes (São Paulo), que talvez não aguentasse mais a culinária chinesa, provavelmente voltaram mesmo só para encaminhar o encerramento das suas vitoriosas carreiras em solo pátrio.

Mas outros, como o atacante Alexandre Pato (São Paulo), repatriado da China (Tianjin Tianhai), o meia Vítor Bueno (São Paulo), repatriado da Ucrânia (Dínamo de Kiev), e o lateral Jorge (Santos), repatriado da França (Monaco), ainda tem muito suor para encharcar as respectivas camisas.

De propósito não inseri na lista o lateral Daniel Alves. Não o citei porque o considero um ponto fora da curva, por tudo que ele conquistou na sua carreira e pelo que ele representa para a seleção brasileira de futebol. O cara, simplesmente, é o jogador mais vitorioso da história desse esporte.

São 40 títulos no currículo desse baiano de Juazeiro, desde que ele vestiu a sua primeira camisa como jogador profissional, a do Bahia, em 2001. Quarenta títulos e um giro pelo mundo, na defesa de clubes como o Sevilha (Espanha), o Barcelona (Espanha), o Juventus (Itália) e o PSG (França).

Aos 36 anos, eleito o melhor jogador da recém finda Copa América, o lateral-direito (mas também meia), correndo como se tivesse uma idade inferior, candidatíssimo a titular da seleção brasileira na Copa de 2022, eu diria que foi a maior contratação do futebol nacional dos últimos tempos.

O futebol brasileiro está trazendo de volta jogadores de técnica acima da média, apesar da economia meia boca. E eu, que não compreendo bem essa história, a única coisa que me resta é me apegar com o mito de Epimeteu, aquele que só compreendia as coisas depois que elas aconteciam... Putz!

 


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