Colunistas
A noite de Los Angeles
por Francisco Dandão



Definitivamente, as sombras da noite não são indicadas para o passeio de brasileiros em Los Angeles, a capital do cinema norte-americano. Tudo pode ser perigoso, desde o encontro com vilões saídos das telas de Hollywood até perus ensandecidos à procura de vítimas descuidadas.

A derrota da seleção brasileira de futebol para a representação peruana, na noite dessa terça-feira (10), é a mais recente prova disso. No piso irregular de um estádio originalmente destinado ao futebol americano, os jogadores do Brasil assistiram o Peru levar pra casa a vitória lá deles.

No próprio trajeto da delegação brasileira entre o hotel e o estádio, já se podia imaginar que o clima da noite da “cidade dos anjos” não fazia bem ao time amarelo. Paredes e outdoors vestidos de néon piscavam em frenesi, numa espécie de dança psicodélica saída de uma viagem alucinada.

Das janelas do ônibus que conduzia o time para o abate, os principais jogadores (só quem senta na janela são os caras que estão há mais tempo entre os convocados) juram que viram acenos de personagens nefastos, como Jack Estripador, Godzilla, Freddy Krueger e outros igualmente famosos.

Até na fachada do estádio, lá no ponto mais alto, há quem afirme ter visto um gorila gigante devorando uma mocinha. Devorar mocinhas, nos tempos de mais antigamente, era atitude própria de macacos saídos de ilhas misteriosas. A moda pegou, mas tudo teria começado com o King Kong.

O clima piorou quando a seleção se deparou com um gramado cheio de marcações estranhas. À distância, vendo pela televisão, tudo indicava que as tais marcações eram típicas das regras do futebol americano. Na verdade, se tratava de linhas mágicas para amarrar as pernas dos jogadores brasileiros.

Depois, com as câmeras dando closes no piso do campo de jogo, deu pra gente ver à perfeição tufos de grama soltos, espalhados aleatoriamente, principalmente nas entradas das áreas. Um gramado cheio de “morrinhos”. Igual para os dois times, porém pior para a equipe de mais recursos técnicos.

Provavelmente, percebendo todos esses sinais no entorno do jogo, tenha sido por isso que o técnico Tite (com ótimo retrospecto à frente da seleção, não se deve deixar de ressaltar) optou por escalar uma equipe recheada de reservas, meia boca. Vários titulares foram esquentar o banco!

Enfim, o que eu quero dizer é que não se pode achar que o mundo vai acabar só porque um peruzinho raivoso ganhou da gente um amistoso, em Los Angeles. A capital do cinema é cheia de truques e efeitos especiais. Nenhum jogo das Eliminatórias da Copa está marcado pra lá. Suave na nave!

 


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