Colunistas
Dia da cachaça
por Francisco Dandão



Muitas datas importantes são registradas no Brasil no mês de setembro. Algumas delas são exaustivamente lembradas e comemoradas. Casos, por exemplo, do Dia da Independência (7) e do Dia da Amazônia (5). Rufam-se os tambores e faz-se um barulho ensurdecedor nesses dois dias.

Sempre que esses dias chegam, eu fico pensando em como pouco se tem a comemorar com relação às duas coisas. É que, no meu entender, de independência mesmo o Brasil tem quase nada (teria alguma coisa?). E, da mesma forma, com a Amazônia pegando fogo, o que se teria a comemorar?

Mas as datas não se resumem a essas aí que foram citadas no primeiro parágrafo. Também em setembro são comemorados o Dia das Organizações Populares (3), o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio (16), o Dia Mundial da Alfabetização (8) e o Dia Nacional da Cachaça (13).

Sim, isso mesmo, existe uma data comemorativa à manguaça nossa de cada dia, referindo-se ao momento em que a famosa “água que passarinho não bebe” foi liberada para fabricação e venda no Brasil, lá pelos idos de 1661. Antes disso, o líquido era proibido e só se consumia bem escondido.

Mutatis mutandis” (mudando o que tem que ser mudado), como dizia o meu velho professor de filosofia, Fernando Bastos (que Deus o tenha!), esse Dia Nacional da Cachaça me faz lembrar de “boleiros” que passaram para o folclore do futebol como usuários contumazes da referida “marvada”.

No futebol internacional foi notório o gosto pelo álcool do irlandês George Best. Atacante, driblador emérito e dono de um chute potente, Best fez história em times ingleses nas décadas de 1960 e 1970. Lá pelas tantas, porém, passou a frequentar as manchetes por conta da bebida descontrolada.

Já no futebol nacional, o exemplo do descontrole com o álcool repousa na biografia do ponteiro Garrincha. Um gênio com a bola nos pés, o menino do interior fluminense jogava tanto quanto bebia. Nas concentrações, dizem que ele passava o dia bebericando uma mistura de cachaça com Coca-Cola.

Enquanto isso, em se tratando do futebol acreano, ninguém seria melhor para encarnar o craque que tomava todas (e mais algumas) do que o também ponteiro Bico-Bico. Um gênio/ídolo, em nível local, tão grande (evidentemente, guardadas as proporções), quanto George Best e Garrincha.

Outra coisa em comum a esses três jogadores citados: nenhum deles jamais admitiu que bebia de forma compulsiva. Ou, muito menos, que a bebida pudesse ter contribuído para abreviar o seu tempo de carreira. Foram craques de muitas histórias. Outro dia eu conto algumas. Salud por la mitad!

 


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