Colunistas
Quanto mais álcool, melhor
por Francisco Dandão



Em uma crônica anterior, falei sobre jogadores que levavam uma vida boêmia e tomavam todas. E citei, naquela oportunidade, três desses craques: George Best, irlandês que fez história no futebol inglês; Garrincha, o nosso eterno gênio das pernas tortas: e Bico-Bico, mágico do futebol acreano.

Todos os esses caras deixaram atrás de si uma infinidade de histórias relativas ao seu hábito de tomar umas e outras, sempre que possível. Esse “sempre que possível” é pura força de expressão da minha parte. Eles sempre davam um jeito de ingerir a sua manguaça. Não tinha tempo ruim pra eles.

Mas o que eu quero contar mesmo nessa crônica de hoje são duas histórias correntes entre os relatos de antigos baluartes sobre o Bico-Bico, baixinho titularíssimo do ataque do Independência nas décadas de 1960 e 1970, de quem dizia-se que jogava melhor quando devidamente “mamado”.

A primeira história quem me contou foi o ex-treinador Walter Félix de Sousa, falecido em 2008, criatura a quem eu tive a honra de ser o último jornalista a entrevistar. Naquele dia de 2007, conversamos na varanda da casa dele, embalados pelo canto de uma dúzia dos seus inseparáveis canários.

Segundo ele (Walter Félix), um dia, cerca de duas horas antes de um jogo do Independência (por volta das 13h), quando os jogadores do time já estavam uniformizados para pegar o ônibus que os levaria ao Estádio José de Melo para duelar com o Juventus, o Bico-Bico chegou morto de bêbado.

“Quem estava escalado para jogar na ponta-direita era o Lula, recém chegado de São Paulo. Aí eu mandei o Jacinto [massagista] dar um banho ‘daqueles’ no Bico. Com vinte minutos no banho, o Bico saiu zerado e pronto pra jogar. O Lula foi pro banco e o Bico acabou com o jogo”, disse Félix.

A segunda história me foi contada pelo também falecido ex-presidente do Rio Branco, doutor Lourival Marques, que num domingo, por volta das 7h, encontrou o Bico-Bico fazendo a feira no mercado municipal. Aí o doutor viu a oportunidade de tirar o craque do jogo da tarde, contra o seu time.

O plano era o de chamar o Bico-Bico para tomar umas e embriaga-lo a ponto de ele não ter condição de estar em campo às 15h. Seria uma dor de cabeça a menos para o Estrelão. Plano em ação, que o Bico-Bico não era de recusar parada, os dois personagens encheram a cara até a hora do almoço.

Encerrada a bebedeira, o Lourival foi pra casa feliz. Havia dado a sua contribuição para a vitória do seu time, tirando de campo o maior craque do adversário. Para sua surpresa, porém, na hora marcada o Bico-Bico não só estava em campo como ainda deu o show de sempre. Haja cachaça!

 


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