Colunistas
Sujeira
por Francisco Dandão



De vez em quando surge alguma denúncia de suborno e manipulação de jogos de futebol, seja em nível regional, nacional ou mundial. Parece até matéria “requentada”. Mas não é não. O que acontece é que esses esquemas sempre existiram. E também são muito difíceis de alguma comprovação.

A reportagem da Rede Globo de Televisão revelou por esses dias o caso mais recente. Esse caso aconteceu na terceira divisão profissional do Rio de Janeiro, estado, talvez não por acaso, cujos alguns governadores se encontram puxando uma “cana”, justamente pelo amor aos bens alheios.

Nos três meses em que os repórteres da Globo investigaram o caso, foram obtidos depoimentos de atletas e gravadas imagens de suspeitos devidamente instalados em arquibancadas, que demonstravam de forma quase cabal de como eram fraudados resultados na referida divisão carioca.

De acordo com a reportagem, as fraudes aconteciam na terceira divisão por ser uma disputa praticamente ignorada pelos torcedores, com jogadores desconhecidos, que ganham, na sua maioria, salários baixíssimos. Ou seja: uma mina de ouro e um terreno fértil para os tais fraudadores.

A reportagem conta, entre outras descobertas, que pelo menos oito dos 15 times que participam do torneio são suspeitos de venderem os seus jogos. Por um dinheirinho no bolso, tanto atletas quanto dirigentes aceitavam, de boa, perder determinados jogos, contra toda a lógica envolvida nos embates.

O presidente de um time, sempre de acordo com as investigações dos jornalistas da Globo, chegou a ser flagrado comemorando um gol de um adversário. É que o sujeito havia apostado na derrota do seu próprio clube. E, dessa forma, iria meter a mão numa “bufunfa” legal. Quer dizer: “ilegal”.

Depois da denúncia, uma ruma de gente passou a ser investigada. O caso está nas mãos da Delegacia de Defraudações da Polícia Civil e do Gaedest (Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor do Ministério Público do Rio). Está, portanto, supostamente, em boas mãos.

Mas, apesar de estar, supostamente, em boas mãos, sabe no que vai resultar, depois de tudo “rigorosamente” apurado? Vai resultar em nada. Primeiro porque a dificuldade de obter provas é imensa. Depois porque, caso alguém seja condenado, logo o lugar será ocupado por outro pilantra.

É isso. O futebol se assemelha a muitas coisas. Pode ser esporte, pode ser emoção, pode ser fantasia, pode ser pilantragem... E por aí vai. Também enriquece uns tantos e não dá nada a outros quantos. O futebol, eu diria, é metáfora da vida. E reflete à perfeição a sociedade em torno de si mesmo!

 


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