Colunistas
Diferentes tempos
por Francisco Dandão



Tudo está mudando rapidamente no futebol. Tabus e tradições estão sendo jogados para fora dos estádios. O espaço, via de regra, agora vai sendo ocupado pelos chamados emergentes. As brechas vão surgindo e novos personagens vão ganhando o protagonismo, deixando outros para trás.

Veja-se o caso da Copa América. A Argentina não ganhava essa competição há anos. E tudo indicava que eles voltariam para casa outra vez sem levar a taça. A finalíssima era no Maracanã e há muito tempo eles não levavam vantagem contra o Brasil. Aí os caras ganharam por um a zero!

Com a vitória, os portenhos subverteram até uma tradição cultural lá deles: a possibilidade de fazer os seus artistas da área musical comporem belos tangos. É que não existe tango baseado em triunfos. Um tango só pode sair de alguma história sofrida, cheia de lágrimas e amarguras. Então…

E veja-se o caso do campeonato brasileiro. Jogadas dez rodadas, o último lugar, o lanterninha, por assim dizer, é nada menos do que o glorioso Grêmio Portoalegrense, time da paixão do meu dileto amigo Eduardo Ritter. O campeoníssimo Grêmio fez até hoje somente três pontinhos (reticências).

Enquanto isso, na parte de cima da tabela de classificação do referido torneio, ostentam ótimos resultados o paulista Bragantino (segundo lugar) e o cearense Fortaleza (quarto lugar). Uma ordem difícil de prever (a não ser pelos torcedores respectivos mais fanáticos) antes do pontapé inicial.

E veja-se, igualmente, na Eurocopa. Quem diria em tempos anteriores que a Itália se apresentaria jogando um futebol tão vistoso, procurando o gol adversário incessantemente, sem medo algum de ser feliz? Logo a Itália, que sempre se notabilizou pelas ferozes retrancas com que armava os seus times.

Pois a Itália deu um jeito de colocar três brasileiros na sua seleção e mudou da água para o vinho. Nada mais daquele “ferrolho” que tratava somente de neutralizar os ataques dos opositores. A Itália jogava por uma bola. Agora quem tem que se defender são os incautos que a enfrentam.

E, por último, trago o exemplo do campeonato acreano, onde, aparentemente, a julgar pelos resultados da primeira rodada (Galvez 0 x 0 Náuas, Atlético 1 x 0 Andirá, Rio Branco 2 x 2 São Francisco e Plácido 3 x 4 Vasco da Gama), não existem mais diferenças entre pequenos e grandes.

Tudo está mudando rapidamente no futebol nessa segunda década do século XXI. Oxalá essas mudanças atinjam outros setores do nosso cotidiano. Que num futuro próximo as vacinas contra a Covid cheguem a todos os brasileiros e que a ciência vença o negacionismo. Que assim seja!

 


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