Colunistas
Meus encontros com a Bardot
por Francisco Dandão



Pela segunda vez na vida encontrei a diva do cinema francês Brigitte Bardot. A primeira vez foi em Paris, há vários anos, em plena Champs-Élysées, nas proximidades do Arco do Triunfo. Agora foi aqui mesmo, na terra dos tupiniquins e colegas, plena Região dos Lagos do Rio de Janeiro.

Lá em Paris não pudemos trocar nenhuma palavra. Ela estava dentro de uma loja, aparentemente experimentando um par de botas. Mas era impossível que nos aproximássemos, tal o batalhão de assessores, fotógrafos e fãs incondicionais que a cercavam. Eu a vi pelo lado de fora da vitrine.

Não era uma distância grande aquela que nos separava. E eu fiquei com a impressão de que ela me convidou a entrar na loja com os lábios entreabertos e com os olhos brilhantes. Até dei um passo para entrar na tal loja. Minha mulher Maria, porém, me segurou pelo braço e me tirou do local.

Nessa última sexta-feira de julho, entretanto, na maravilhosa orla de Búzios, finalmente eu consegui me entrevistar com La Bardot. Eu a vi de longe, sentadinha no seu posto de observação, em frente a um mar de profundo azul, contemplando as gaivotas e os barcos na vasta enseada.

Me aproximei devagar, com o coração aos saltos, tentando não assustá-la. Ela estava sozinha e imóvel. Parecia uma estátua. Nada daquela multidão que a acompanhava em Paris da vez anterior em que eu a vi. Um ou outro turista parava para posar ao lado dela. Mas nada de multidão insana.

Sentei-me ao seu lado. Ela continuou sem se mexer, com o olhar fixo em um ponto qualquer do horizonte. Pareceu não notar a minha presença. Comportamento igual ao que eu havia visto uns segundos atrás com o casal de jovens que se aproximou e acariciou o rosto e os seios duros dela.

Fiz uma selfie e já me preparava para levantar e seguir minha caminhada pela orla quando pensei ouvi-la sussurrar. Eu achei que estava pirando o cabeção. Mas ela repetiu o sussurro e me pediu para ficar. Ela só fingia que era estátua para não gerar aglomerações, por causa da pandemia.

Conversamos por um bom par de horas. Aos 86 anos (mas com um corpinho de trinta e poucos), ela domina todos os assuntos. Mas é especialista mesmo sobre as coisas do Brasil, principalmente no que diz respeito ao futebol. É fã do Neymar e da Marta, embora ande tietando o Richarlison.

De acordo com ela, o Richarlison vai ser artilheiro das Olimpíadas e a seleção brasileira masculina vai conquistar outra medalha de ouro. Disse-me que tem tanta certeza disso que até já prometeu levantar e andar do seu posto de observação, caso isso não aconteça. Figura de cinema, a Brigitte Bardot!

 

 


© Copyright 2004 - 2021 / Todos os direitos reservados ao Futebol do Norte