Colunistas
Reforços inusitados
por Francisco Dandão



Márcio Chocorosqui e Neivo Vilacorta são dois amigos que eu tenho cultivado pela vida. Com o Márcio, conhecedor como poucos dos meandros da língua portuguesa, eu trabalhei por alguns anos na Universidade Federal do Acre. E o Neivo eu conheci entortando laterais nos gramados acreanos.

Tanto um como o outro, eu não vejo há um bom tempo. Mas sempre nos encontramos de maneira virtual. Eles dois de vez em quando enxugam umas geladas num bar do bairro do Aviário (ou seria Cerâmica?), em Rio Branco. E nessas horas, eles me chamam no vídeo para algumas gargalhadas.

Pois na semana que recém passou, eu pedi para o Márcio Chocorosqui gravar um depoimento do Neivo sobre a trajetória deste enquanto jogador, na década de 1980, para que eu pudesse escrever um perfil dele, assim como eu tenho feito com outros ex-futebolistas. Pedido feito, tarefa cumprida!

Quando eu ouvi a gravação, duas historinhas chamaram a minha atenção. Ambas relativas à passagem do Neivo pelo Rio Branco, quando a presidência do clube era exercida pelo empresário Wilson Barbosa, criatura de boa saúde financeira, mas que entendia pouco ou quase nada de futebol.

Segundo o Neivo, o empresário referido mal assumiu a direção do Estrelão, entendeu que o time deveria ganhar todas as competições que disputasse. E então, para atingir esse objetivo, tratou de abrir os cofres das suas empresas com o intuito de contratar a fina flor da boleiragem local.

Dessa forma, o Rio Branco montou um timaço. A peso de ouro foram contratados (ou tiveram os salários reajustados) craques como o goleiro Klowsbey, o zagueiro Neórico, o lateral Paulo Roberto, o meia Mariceudo, os atacantes Roberto Ferraz e Gil, o volante Mário Sales e o próprio Neivo.

Eis que, já na estreia do time, num amistoso contra a seleção de Sena Madureira, derrota por um a zero. Irritado, Barbosa teria perguntado ao técnico Illimani o que estava faltando. Quando este disse que faltava o “entrosamento”, o dirigente teria respondido: - Pode contratar que eu pago!

Aí, na sequência, já valendo pontos, na disputa do campeonato acreano, o time mandava bem, mas Barbosa teria percebido que faltava um pouco mais de empenho por parte de alguns jogadores. Então o empresário teve a ideia de oferecer litros de uísque escocês para comemorar as vitórias.

Não deu outra. O time passou a voar em campo. De acordo com o Neivo, na primeira vez que o presidente ofereceu como incentivo “um litrão de Johnnie Walker”, o Rio Branco meteu quatro a zero no Galo. No final das contas, o título daquele ano de 1983 foi parar fácil nas vitrines do Estrelão.

 


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