Colunistas
Caldo de piaba
por Francisco Dandão



Apostei num site desses da vida que o Brasil venceria a seleção venezuelana por cinco gols a zero. Na hora em que eu apostei, até imaginei que estava cravando um placar modesto. Afinal de contas, a Venezuela ostentava (ostenta) a pior colocação na classificação nas eliminatórias sul-americanas.

Mal começou o jogo, porém, o meu palpite foi para o brejo. Os caras da chamada seleção Vinho Tinto (pela cor da camisa) fizeram um a zero, de cabeça, numa jogada em que os dois zagueiros da seleção brasileira escorregaram ao mesmo tempo e sujaram o calção de forma simultânea.

Mas o pior de tudo, àquela altura, nem era o placar adverso. Pior do que sair perdendo num jogo contra o lanterna do torneio era o fato de que o Brasil não estava jogando nada. A maioria dos passes, segundo a definição do parceiro Lula, era feita no sistema nove e quinze (só para os lados).

Enquanto isso, o técnico Tite arregalava os olhos e se descabelava na beira do campo em ver aquela lástima dentro das quatro linhas. Os gritos do treinador, porém, querendo mudar o ritmo da parada, não adiantavam coisa alguma. Já o locutor global Galvão Bueno, este implorava para que o primeiro tempo chegasse ao fim.

No intervalo do jogo, não pude deixar de pensar em como a situação de um país pode refletir o desempenho da sua seleção. Nada vai bem atualmente nesse país de negacionistas e mentirosos compulsivos (ou vai?). Eu acho que enquanto o filhote de cruz credo estiver por aí, vai ser sofrido.

E foi nesse mesmo intervalo que eu recebi mensagens de dois amigos diletos: o Toinho Bill e o Joraí Salim. O Toinho, com sua língua ferina, disse que essa seleção brasileira é mais ruim do que “refresco de tabaco”. E o Joraí, sempre sarcástico, falou que o nosso time é “mais fraco do que caldo de piaba”.

E nem adiantou eu argumentar com as duas criaturas, dizendo que nós estamos em primeiro lugar nas Eliminatórias, longe do segundo colocado. A esse meu argumento, eles replicaram que as outras seleções conseguem ser ainda piores do que a nossa e que a bola da América do Sul já acabou.

Eu não quis seguir com a discussão. Pelo tom exaltado deles dois, eu percebi que o mais prudente era silenciar e esperar o segundo tempo. Entendi que era melhor manter dois amigos na mão do que acompanhar uma bola voando. De uma hora pra outra, afinal, tudo pode mudar de lugar, inclusive o céu e a terra.

Felizmente o técnico do Brasil substituiu algumas peças para a segunda etapa do jogo. E aí o time “amarelo” foi pra cima dos meninos do ditador Maduro. E então veio a virada: Venezuela 1 x 3 Brasil. A ordem natural das coisas foi restabelecida. Mas eu jamais vou apostar novamente numa goleada brasileira.

 


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