Colunistas
A finitude da vida
por Francisco Dandão



No auge da vida profissional, aos 26 anos, a cantora sertaneja Marília Mendonça saiu da vida nessa sexta-feira (5) para galgar os degraus da memória. Um acidente aéreo é que encerrou a carreira da moça que já fez (e faz) tanta gente chorar amores sofridos, em torno de um copo de cerveja.

Falei em “degraus da memória” porque lembrei de uma palestra que eu vi um dia desses sobre esse salto no abismo da metafísica para o qual todos estamos agendados. Uma palestra na qual o orador garantia que o maior problema da morte não é a extinção física, mas sim o esquecimento.

É que depois da morte, em maior ou menor tempo, todos seremos esquecidos. A Marília Mendonça, pela arte que teve em vida, será lembrada por muitos anos. Ela tinha uma legião de fãs que tratarão de recordar os seus feitos. Mas alguém de história comum rapidamente se apaga das memórias.

Escrevo essas coisas e lembro, a exemplo desse apagamento que a morte proporciona na memória coletiva, de dois cracaços do futebol acreano da época do amadorismo que partiram para o outro lado da vida e dos quais só os torcedores mais velhos é que ainda lembram: Asfury e Ruy Macaco.

O Asfury, que era lateral-direito, jogou no Grêmio Atlético Sampaio (GAS), no Rio Branco (Estrelão) e no Internacional (Saci do Ipase), entre os anos de 1967 e 1973. Ele parou cedo com a bola porque resolveu, aos 24 anos, fazer o curso de formação de sargentos da Polícia Militar do Acre.

Mas enquanto esteve em campo, ele era desses laterais duros, do tipo que não deixava os ponteiros-esquerdos adversários respirarem durante os 90 minutos do jogo. Ele tinha um fôlego de gato. Atacava e defendia com a mesma energia e desenvoltura. Ele morreu em maio de 2021, aos 72 anos.

Já o Ruy Macaco, que era atacante e vestiu, entre as décadas de 1960 e 1980, as camisas do Rio Branco, Grêmio Atlético Sampaio, Juventus, Independência, Atlético e São Francisco foi simplesmente um dos maiores artilheiros da história do futebol regional. O homem fazia gols de todo jeito.

O cara fazia tantos gols que foi até alvo de uma reportagem na revista Placar, de circulação nacional, como o segundo maior artilheiro do Brasil no ano de 1974, ficando atrás somente do centroavante Dadá Maravilha, que na referida temporada jogou por dois clubes: Atlético Mineiro e Sport Recife.

Ruy Macaco faleceu vítima de um acidente vascular cerebral, em abril de 2007, aos 58 anos de idade. Asfury foi morto por complicações deste vírus maldito que teima em correr o mundo. Aos dois a minha homenagem. Que a memória lhes seja duradoura e o que o esquecimento lhes seja leve. Amém!

 


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