Colunistas
Bruta ressaca
por Francisco Dandão



Acordei com uma bruta ressaca na manhã dessa quinta-feira (17). A cabeça inchada e a boca com gosto de ferro velho recordavam os acontecimentos da noite anterior: a ingestão de duas garrafas de vinho barato e a desclassificação do Fluminense da Copa Libertadores da América.

Na verdade, uma coisa foi decorrente da outra. É que eu costumo beber apenas uma garrafa de vinho a cada vez que me proponho a comemorar alguma coisa. Dessa vez extrapolei e tomei duas. A primeira, como de praxe, para entrar no clima do jogo. Já a segunda, por pura irritação mesmo.

Minha irritação se deu por conta do que o Tricolor mais lindo do mundo não mostrou. Os caras escalados pelo Abelão Braga parece que esqueceram tudo o que aprenderam nos seus anos de bola dentro de campo. Enquanto os paraguaios do Olímpia jogavam, o pessoal do Flu apreciava.

E vejam que a vantagem do Fluminense era considerável. Com os 3 a 1 que foram aplicados no Olímpia quando do jogo da ida, no Brasil, até uma derrota por um gol de diferença servia para o time brasileiro. Era jogo para botar dez caras debaixo das traves e escalar somente umzinho lá na frente.

Armar um daqueles ferrolhos peculiares aos times italianos das décadas de 1960 e 1970. Se fosse o caso, escalar até o massagista, o auxiliar técnico e o preparador físico na frente da zaga. Um daqueles ferrolhos capazes de resistir até aos mísseis do agente da KGB presidente da Rússia.

Só os gandulas é que não poderiam ser escalados para defender as traves do Fluzão. O jogo era no Paraguai e os gandulas eram todos dos caras. Com os gandulas não se podia contar. Nesse aspecto não se pode culpar ninguém. Os gandulas, a propósito, trabalharam direitinho pro time deles.

E os pênaltis, depois dos 2 a 0 que o Flu levou durante o jogo. Ah, aí foi outro problema. Quem tinha de começar batendo para o Tricolor das Laranjeiras era o presidente do clube e não o William Bigode. Quem tem que bater pênalti decisivo é o presidente do clube. Ninguém mais do que ele.

Quanto à expressão “cavalo paraguaio”, oriunda do turfe, que designa o animal que sai na frente atropelando todo mundo mas depois chega em último lugar, no caso desse confronto entre Fluminense e Olímpia se inverteu a lógica. O cavalo manco e perdedor foi o brasileiro e não o paraguaio.

É isso, meus caros leitores. A essa altura, em algum lugar do inferno, o ditador paraguaio Francisco Solano Lopez deve estar tirando o maior sarro do brasileiro Luís Alves de Lima e Silva, vulgo Duque de Caxias. E eu nunca mais bebo duas garrafas de vinho de uma só vez. Never more, never more!

 


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