Colunistas
Invasão portuguesa
por Francisco Dandão



Os técnicos de futebol brasileiros andaram perdendo prestígio nos últimos tempos. Numa busca simples na internet, a gente constata que são muitos os “professores” desempregados, à espera de um convite para voltarem à beira do campo. Existem bem mais técnicos do que empregos!

No presente, salvo engano, nos 20 times da Série A do Brasileirão, oito são dirigidos por técnicos estrangeiros: quatro portugueses (Abel Ferreira, Paulo Sousa, Vítor Pereira e Luís Castro), três argentinos (Juan Vojvoda, Mohamed e Fabian Bustos) e um paraguaio (Gustavo Morínigo).

E são “apenas” oito porque um que começou a temporada já desocupou o lugar. No caso, o uruguaio Alexander Medina, que depois de não conseguir fazer andar o glorioso Internacional, de Porto Alegre, foi mandado estagiar na Patagônia e substituído pelo nacional Mano Menezes.

O caminho inverso, porém, não é verdadeiro. Ao longo da história contam-se nos dedos os técnicos brasileiros que foram convidados para trabalhar em Portugal, na Argentina e no Uruguai. A maioria dos técnicos “brazucas” só saiu para atuar em países do Oriente Médio e da Ásia.

Especificamente falando-se de Portugal, cujos marujos frequentaram o litoral brasileiro nos idos do século XVI, ressalte-se que os técnicos de lá tem dado muito certo abaixo da linha do Equador. A começar por aquele de nome Jesus, que comandou os “urubutingas” da Gávea em passado recente.

Mas também, um cara com o nome de Jesus só não dá certo, provavelmente, num país de tradição muçulmana. Num espaço territorial de maioria católica, apostólica romana, onde a dualidade religiosa dividida entre a pistola e a cruz faz morada, Jesus vai sempre, sim, obrar milagres.

Então, imagino que por conta do sucesso do tal Jesus é que vieram no seu rastro os patrícios Abel Ferreira (Palmeiras), Paulo Sousa (Flamengo), Vítor Pereira (Corinthians) e Luís Castro (Botafogo). Pegaram suas caravelas e vieram bater nas belas costas brasileiras seguindo o vento a favor.

E esses portugueses, deve-se destacar, tem se mostrado competentes. O Palmeiras, do Abel Ferreira, por exemplo, quando entra em campo causa arrepios no dorso e frio na barriga dos adversários. Menos do Tricolor das Laranjeiras, que não quer nem saber se o bicho é feio. Mas aí é exceção!

É isso. Os portugueses estão novamente invadindo o Brasil. Eu só espero que dessa vez eles não se ponham a contrabandear pedras preciosas dentro de “santos de pau oco”. E que também não tentem substituir a nossa feijoada pela bacalhoada lá deles. Falta, agora, vir somente a família real!

 


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