Colunistas
Encontros à beira-mar
por Francisco Dandão



Todas as tardes (ou quase) eu faço minha caminhada à beira-mar de Fortaleza. Sigo a tendência geral de que é preciso exercitar o corpo para que as respectivas peças não enferrujem assim tão rapidamente. Os radicais podem até ser livres, mas devem ser combatidos até a última gota de suor.

A beira-mar de Fortaleza é um espaço único. Todo dia é o mesmo lugar, mas também é outro, ainda que isso possa parecer um tanto paradoxal. A gente não cansa jamais de percorrê-la. Para onde se olha é um espetáculo de beleza. Se bater alguma preguiça, basta mirar o oceano azul.

Além de tudo isso, um acreano que há muito tempo está ausente da terra natal, como é o meu caso, ainda pode matar a saudade quando percorre a beira-mar de Fortaleza. É que são muitos os conterrâneos em férias e temporadas por aqui. E assim, a gente vai se encontrando sempre.

Nessa primeira semana de fevereiro, a propósito, eu já encontrei dois amigos zanzando pelo local. Primeiro, encontrei o Marcelo Aquino, lateral competente que defendeu as cores do Amapá, do Atlético, do Rio Branco e do Juventus. Depois, encontrei o Zé Augusto Fontes, juventino absoluto.

O Marcelo Aquino, que foi bicampeão pelo Juventus nos dois primeiros anos do futebol profissional do Acre, no caso 1989/1990, eu encontrei nas imediações de uma banquinha de vender abacaxi. De acordo com ele, o lugar é o seu ponto preferido nos finais da tarde fortalezense.

Claro que a nossa conversa girou basicamente em torno do futebol. Provoquei-o, dizendo-lhe que ele era reserva no Juventus de 1989, uma vez que não o vi na foto do time campeão. Fui contestado, naturalmente. “Fui titular sempre. Eu não apareço na foto porque estava suspenso”, disse-me.

Quanto ao Zé Augusto Fontes, meu compadre, colega do curso de Direito na Universidade Federal do Acre e o cronista mais lírico da história da literatura acreana, eu o encontrei perto da feirinha, combinando uma ida ao Castelão com o primo dele, o Paulinho Barquete, também conterrâneo.

Conversamos amenidades. Lembramos os velhos tempos do futebol acreano e as memoráveis jornadas empreendidas pelo Juventus, onde sempre pontificaram craques lendários. E acabamos lamentando, ao nos despedirmos, a ausência atual do Clube da Águia dos campos de futebol.

No final das contas, depois de encontrar mais esses dois amigos acreanos na orla de Fortaleza, eu tive a certeza de que, apesar da distância geográfica, é como se eu ainda estivesse no Acre. A solidão não faz parte da minha noção de realidade. A solidão é chuva que não afoga a palavra!

 
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