Colunistas
Fotografias
por Francisco Dandão



Sou um apaixonado por fotografias. Creio que seja raro quem não goste. É certo que alguns gostam por puro narcisismo. Para observar o próprio reflexo nas telas brilhantes dos seus modernos celulares, muitas vezes sorrindo sem achar motivo algum. O sorriso são só dentes à mostra!

Outras vezes, o sorriso é de total felicidade. Nesse caso, pode-se ver na expressão dos olhos. Janelas que são da alma, os olhos quando sorriem o fazem de dentro pra fora, não enganam nem fingem. A felicidade quase nunca está na boca. Mas a felicidade está sempre por ali, no jeito de olhar.

A fotografia, tanto num quanto no outro caso, luta para não deixar o momento ir embora. Torna presente, mesmo que em simulacro, um instante que jamais se repetirá. Os instantes são transitórios. Os instantes são, por assim dizer, eternamente outros. Por isso é que nenhum mergulho se repete.

Mas uma fotografia também pode ser um dolorido retrato na parede de uma sala de estar ou num quadro na cabeceira da cama. Os poetas estão cansados de dizer isso nos seus versos, muitos dos quais repetidos na voz de cantores populares. No verso e na voz, quase sempre falam de saudade!

Uma viagem de férias, no mais das vezes, produz fotografias de puro encantamento. E a gente não se cansa de vê-las no decorrer do tempo que está e que virá. Por outro lado, a imagem de um ente querido que partiu de forma definitiva tem o poder de fazer o coração doer dentro do nosso peito.

No momento em que dou à luz este texto tenho espalhadas em diversas janelas do meu computador várias dessas fotografias carregadas de uma dolorida ausência. Na mais significativa delas me saltam aos olhos uma equipe de esportes da extinta Rádio Novo Andirá, na década de 1970.

Da esquerda para a direita, na foto, quase todos com uma aparência bem jovial, aparecem Chico Pontes, Raimundo Nonato “Pepino”, Valdemir Canízio, Jota Conde, Delmiro Xavier, Olavo Pontes e Raimundo Fernandes. Quatro deles (Canízio, Conde, Delmiro e Olavo) já falecidos.

Valdemir Canízio foi embora ao iniciar esta semana. Tinha 72 anos. Há muito tempo estava afastado das lides jornalísticas. Mas, nas conversas dos torcedores seus contemporâneos, ele era sempre lembrado pelo senso de justiça, seriedade e honestidade com que emitia suas opiniões no rádio.

É isso. As fotografias tanto podem encher de nostalgia a nossa alma quanto transbordar o nosso peito de dolorida recordação. A consciência é que motiva a lembrança. E, como toda fotografia trata do que passou, é possível, então, dizer que toda memória é feita de irremediáveis saudades!

 
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