Colunistas
Pleno abril
por Francisco Dandão



E então, eis que na Terra é pleno abril. A seleção brasileira, do Tite e de mais duzentos milhões de corações, está jogando muita bola, sobrando mesmo nas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Quem quiser que corra atrás, que nós já carimbamos a vaga para ir às estepes russas, em 2018.

O planetinha azul roda sem cessar ao redor do sol. E enquanto o céu não desabar sobre as cabeças dos homens de pouca fé, a seleção brasileira pinta legal como uma das favoritas para conquistar a taça lá no país que um dia Lênin chamou de seu e Stalin tratou de fazer com que o sangue jorrasse.

Eu, seja porque não tenho nada com isso, seja porque tenho certeza que não existe sólido que resista ao atrito com o ar, já estou tratando de procurar um curso de russo para me matricular. Se fosse antigamente, eu estudaria por correspondência. Agora não dá. Mas pode ser no ciberespaço!

A propósito, me chegou, em off, a informação de que os tais russos já estão enchendo os seus computadores com informações sobre o craque tupiniquim Neymar Jr. Eles continuam acreditando que a ciência pode tudo, até derrotar a intuição e o talento de um craque fora de qualquer série.

A questão é que esses mesmos russos já tentaram esse expediente sem sucesso na Copa de 1958. Naquela oportunidade, o “monstro” a ser parado pela ciência se chamava Garrincha. Não houve jeito. O computador fundiu os circuitos. Garrincha passeou em campo e o Brasil levou a melhor.

Eu penso que o computador dos caras vai pirar de novo se eles insistirem nessa ideia. De repente, com o Tite no comando da seleção, um monte de ótimos jogadores brasileiros voltou a jogar bem. E assim, não existe mais a dependência absoluta do Neymar. O Brasil agora são onze.

Exemplo disso foi aquele gol do Marcelo, o terceiro na goleada sobre o Paraguai, na terça-feira passada. Os caras da defesa paraguaia nem viram o que estava acontecendo. Com uma sucessão de toques rápidos, o lateral brasileiro se projetou num ponto futuro e depois foi só correr para a alegria.

São nove vitórias em nove jogos sob a orientação do Tite. O tempo e o vento provaram que o outro gaúcho que o antecedeu, com nome de anão e humor de “Rasputin” em dia de dor de dente, foi uma invenção desastrosa. O dito estava mais pra vilão de filme B do que para treinador.

Pois então é isso, meus prezados leitores. Na Terra é pleno abril. As estações passam velozmente. O ano mal começou e daqui a pouco já vem outro carnaval. A seleção brasileira de futebol que tomou de sete a um dos chucrutes não existe mais. A Rússia está bem ali. Eu acho que vou conferir!

 
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