Colunistas
Enfim, acabou a invencibilidade...
por Francisco Dandão



Notívago pela própria natureza, eu não consigo dormir antes da chegada da madrugada. Por conta disso, acordar cedo sempre foi uma tarefa ingrata da vida inteira. Quando eu precisava bater ponto no serviço público federal, chegar na hora certa se configurava uma verdadeira tortura.

O quarto de dormir repele todas as minhas investidas de ir para a cama em horário de gente normal... E então, o dia seguinte e eu sempre nos encontramos antes do sono de cada noite. Uma delícia é ver a cidade dormindo e você de vigia, do lado de dentro de uma janela insone e esperta.

Até programo o celular para me despertar quando preciso levantar mais cedo. E até me acordo se o fato motivador for daqueles impossíveis de protelar. Caso de uma viagem aérea programada para os períodos matutinos. Mas esse tal caso é como aquela exceção que confirma a regra.

Pois muito bem. Esse preâmbulo todo, meu caro leitor, eu precisei lançar mão dele só pra dizer que não consegui acordar a tempo para assistir o jogo do Brasil contra a Argentina, realizado na manhã de sexta-feira, lá na chamada terra dos cangurus. Um horário irreal cá para os meus padrões.

Sim, o celular despertou sim. Mas, como eu o programei para disparar o alarme quinze minutos antes da partida, entendi no momento da tal buzina que eu poderia muito bem dormir mais alguns minutinhos. Só que esses minutinhos me embalaram nos braços de Morfeu por duas horas.

Preocupado com o jogo, meu inconsciente (ou então, o que quer que determine o objeto dos sonhos) até me fez sonhar com uma grande vitória brasileira. Quatro a zero para o Brasil e os argentinos mais uma vez saindo de campo com aquela cara de cachorro que caiu do caminhão de mudanças.

A realidade, porém, era outra bem diversa. Dei-me conta de como fora doce (e enganador) o sonho, logo ao despertar e correr para a internet. Os argentinos haviam vencido, quebrando a sequência invicta do técnico Tite à frente da seleção brasileira. Um a zero a favor deles. Unzinho a zero.

Sei, era só um amistoso, e nós jogamos sem o Neymar, e o Tite estava aproveitando para fazer uns testes... Sei de tudo isso e de outras coisas mais que se diz nessa hora... Mas, fora todos esses senões, é preciso que se diga também que é ruim perder de argentino em qualquer situação.

Nem o sonho doce pouco antes do despertar, ligeiramente anterior à notícia da primeira derrota da “era Tite”, dessa vez pode deixar de tornar o café da manhã de um estranho amargor. Freud vai ter que me explicar direitinho esse desencanto. Se ele não me decifrar, vou tratar de devorá-lo!

 
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