Conheça a história do Galo da BR
Contos da Bola

No dia 22 de abril de 1991, em uma reunião realizada no plenário da Câmara Municipal, um grupo de empresários e desportistas criou um dos maiores clubes de Rondônia na era profissional. No local, estavam presentes na época desportistas como: Vicente Lelis, José de Abreu Bianco, Airton Gurgacz, Toninho Funare, Chico da Mata, Bráulio Barbosa, Jair Ramires, entre outros.

E em menos de quatro meses após a sua fundação, o Ji-Paraná entrou em campo para disputar sua primeira partida oficial, contra o Operário, do município de Colorado d’Oeste, fora de casa. Ficando assim o primeiro jogo 1x1. Após um início de campeonato instável, o Galo da BR encerrou o primeiro turno em sexto lugar. Já no returno, o Jipa conseguiu avançar a final. E no dia 15 de dezembro de 1991, em pleno Estádio Aluízio Ferreira, na Capital, o clube Azul e Branco levantou seu primeiro caneco, o primeiro de sua gloriosa história.

No ano seguinte, para confirmar, veio o bicampeonato, num dos campeonatos, mas difíceis, foram 24 jogos em quatro fases até a final. O Galo ganhou do Grêmio Recreativo de Espigão do Oeste por 2x1 consagrando, assim, o começo da hegemonia de uma década.

Em 1993 e 1994 ficamos pelo caminho, onde o Ariquemes, ou melhor, (Sociedade Esportiva Ariquemes) foi bicampeão. A curiosidade é que em 1993 foram 11 clubes em três chaves, dividindo assim o estado em grupos para baratear os custos das equipes. Em 1994, foram sete clubes e 18 jogos, ficando o Jipa com o vice-campeonato.

A partir de 1995 o Galo da BR tomou a dianteira do futebol e conquistou quatro títulos consecutivos 1995, 1996, 1997, 1998. O ano de 1995 foi histórico para o futebol de Rondônia, feito este realizado também em 1997 pela Série C do Campeonato Brasileiro. O Jipa, até então desconhecido pela mídia nacional, foi exaltado quando em 1995 consagrou-se como melhor time da região norte, ganhando do Nacional-AM no Vera Cruz por 1 a 0, na Quarta Fase, e indo a capital de Goiás jogar contra o Atlético Goaniense. Em Goiânia, ficou 1x0 para o Atlético e em casa o Jipa saiu na frente, mas cedeu o empate ficando 1x1, placar final.

Com esse resultado, o Galo ficou fora da disputa da semifinal onde o XV de Piracicaba-SP foi o campeão. Nessa ocasião o então locutor da radio Brasil Central, Jorge Cajurú disse cobras e lagartos do time de Rondônia. Chamando os jogadores de índios que jogavam com bola de seringa e etc. Foi uma maratona, eram jogos no meio e final de semana. No total entre estadual e brasileiro foram 28 jogos em quatro meses.


Já em 1996 o campeonato estadual foi muito rápido. Do dia 26 de maio até 28 de julho foram oito jogos. Sete vitórias e uma derrota, esta para a União Cacoalense (2x1). Mas uma vez o clube ficou com o caneco. Neste ano, o Galo jogou Copa do Brasil, contra o Atlético Paranaense, o time tinha craques como: Oséas, Paulo Rink era uma legião abnegada da bola. No primeiro jogo em Porto Velho, o Furacão abriu o marcador, mas aos 47 min. do segundo tempo o Galo marca e o Aluízio Ferreira vai abaixo com aquele gol, final 1x1. O segundo jogo foi na Arena da Baixada, 3x1 para o Atlético.


O ano de 1997 foi muito trabalhoso dentro das quatro linhas, foram quatro campeonatos: Copa do Brasil onde jogou contra o Botafogo do Rio de Janeiro, Copa Norte ficando com o 3º lugar, o estadual, consagrando campeão pela 5ª vez. Com um detalhe, neste ano o Ouro Preto contratou a maioria dos jogadores do Jipa que jogou no ano anterior. Indo assim a final, a cria e o criador. O Jipa era o Time do Zé: Zé Carlos, Zé Carioca, Zé Roberto. O Jipa foi campeão nas penalidades, vencendo por 4 a 2. Só lembrando, foi neste ano que aconteceu o primeiro Wx0 da sua história, por não pagar o aluguel do estádio Vera Cruz, o Galo foi jogar no campo da Triangulina. O Vilhena vendo que não existia condição de jogo, esperou no portão do Vera Cruz com os árbitros e quando acabou o tempo para a espera, foi anunciado o Wx0 para o Jipa.

Neste ano, o goleiro Alceu ficou cinco jogos sem levar um gol. No primeiro jogo o arqueiro foi o Escopone, levando assim um gol do Cacoal. Ai o Goleiro Alceu defendeu a meta até a final contra o Ouro Preto, quando levou dois gols no tempo normal. Foram 450 minutos sem levar gols. Um recorde. Há, se não tivesse o WOx0 para o Vilhena, seria campeão invicto. Pelo Campeonato Brasileiro da Serie C, o Galo da BR foi longe. O Bicolor foi a São Paulo, depois que ganhou do Operário-MS em casa por 1x0 e no jogo de volta ficou 0x0. Classificando para próxima fase e pegar o Juventus-SP. Primeiro jogo 3x0 para eles no Vera Cruz e no jogo de volta ficou 4x2 para o Juventus e uma curiosidade. O Galo foi destaque no programa da Rede Globo – Esporte Espetacular, onde mostrou a viagem de um time do norte do Brasil a terras bandeirantes.

Em 1998 e 1999, o Galo foi bicampeão invicto foram seis jogos e seis vitórias no primeiro ano e 12 jogos e sete vitórias no ano seguinte. Em 1999, houve um WOx0, mas para a União Cacoalense. O clube de Cacoal não foi atuar no Vera Cruz. A final foi em Rolim de Moura, o primeiro jogo 1x0 para o Galo diante do Pinheiros e o segundo jogo terminou empatado em 1x1 sagrando-se campeão estadual pela 7ª vez.


Justamente no ano que fecharia a década de ouro do Galo da BR, a diretoria decidiu não participar do Campeonato Rondoniense por falta de patrocinadores, foi um ano de lágrimas para a torcida, acostumada com as vitórias. Neste ano, foram 11 clubes disputando o caneco e quem levou a melhor foi o Guajará em cima do Genus.


Em 2001, o retorno aos gramados foi um alívio aos fanáticos torcedores. Neste ano, o Jipa foi campeão em cima da União Cacoalense com dois empates de 1x1 e 1x1 em Cacoal levando para as penalidades, 4x2 para o Jipa, campeão pela oitava vez, um recorde, que nenhum outro time de Rondônia conseguiu até então. Lembrando, foram oito títulos ganhos fora de casa.

Em 2002, o Galo realizou uma boa campanha, mas por problemas extra campo na reta final, tirou o clube da disputa pelo titulo, ficando em 3º lugar. Depois da derrota sofrida para o CFA no Vera por 4x3, houve um desânimo por parte do time, levando a quatro derrotas na semifinal, até que no dia 23 de julho, na inauguração do Estádio José de Abreu Bianco, presente aguardado há 11 anos, o Jipa aplica 2x0 no Cruzeiro de Porto Velho, abrindo uma nova fase para o futebol de Rondônia com um estádio moderno para receber grandes jogos. A final ficou para o CFA, ganhando do Cacoal por: 1x1 e 2x1. Foi a única vez na era profissional que a capital comemorou um título estadual.

De 2003 até 2007, o Jipa passou de papão a coadjuvante nos campeonatos. Em 2007, o Galo da BR chegou ao ‘fundo do poço’ do futebol local, caindo para pífia campanha nove derrotas, dois empates e uma vitória, essa contra o Pimentense no dia 12 de Abril.

No ano seguinte, o Galo da BR disputou pela primeira vez a Segunda Divisão do Rondoniense, mas acabou sucumbindo numa partida diante do Shallon, perdendo por 3 a 1 e praticamente despedindo-se do acesso à elite.

Em 2009, o Ji-Paraná esteve muito próximo do acesso. O time fez a segunda melhor campanha na fase classificatória e garantiu seu retorno a elite de forma antecipada. Chegou a vencer o primeiro jogo da final, mas no segundo jogo em Porto Velho os jogadores promoveram um boicote a equipe e não embarcaram rumo a capital, consolidando o WO, sendo penalizado com afastamento do futebol profissional e ficando de fora da elite por mais um ano.


Passaram pelo maior conquistador de títulos do Estado, nomes famosos como Dadá Maravilha, o homem beija-flor que em 1995 foi técnico do time contratado pelo então presidente Lucio Capixaba, Paulo Isidoro – habilidoso meio que disputou a Copa do Mundo de 1982 – estava em campo, aos 43 anos, para defender as cores do Galo contra o Botafogo do Rio de Janeiro pela Copa do Brasil em 1997.

O torcedor-símbolo do clube é Marambáia, que inspirou a criação da mascote do Ji-Paraná. Foi em 1991, numa das primeiras partidas do clube, ele levou um galo garnisé para as arquibancadas do Estádio Vera Cruz e ergueu como um troféu, mostrando-o aos torcedores do Ariquemes.

Em 2005 um jovem torcedor, amante do Galo da BR, Lindenberg Medeiros, participou da publicação de um livro escrito pelos autores: Marcelo Migueres e Celso Unzelte, intitulado GRANDES CLUBES BRASILEIRO – OS 80 MAIORES CLUBES DO BRASIL pela editora Viana e Mosley Teve como presidentes: Vicente Lelis, Geraldo Roque, Lúcio Capixaba, Odimar Mathias, Toninho Funare, Joarez Jardim, Jurandir Soares, Valdenir Pinheiro (Maritaca), Roldão Alves, Valdir Cacau, Luizinho da Polli, e Itacir Stefenni. Os três últimos já falecidos.

 
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