Entrevistas
Bastidores

Um craque que se confunde com a própria história do clube onde ajudou a construir. Assim podemos definir o ex-atacante Nilo Pereira Maranhão, o “Santarém”, que 40 anos antes da era de ouro do São Raimundo, no fim dos anos 1990, com Delmo, Araxá, Sidney e cia. já era o maior ídolo do Tufão da Colina.

No segundo episódio da série “Por Onde Anda o Meu Craque”, vamos contar ao caro leitor o que anda fazendo o ex-craque que marcou seu nome no alto da Colina e que lá vive até hoje.

Morador da rua do Rosário, no bairro do São Raimundo, Zona Oeste, o seu Nilo, 79, como é conhecido pelos vizinhos, passa despercebido. Mas como jogou futebol o Santarém!

Nascido no Pará, o primeiro grande ícone da história do Tufão chegou ao clube em 1957 e logo no primeiro jogo ajudou o São Raimundo a “massacrar” o Nacional por 5 a 0. Autor de 110 gols com o manto alviceleste, Santarém foi campeão amazonense com o São Raimundo em 1961 e 1966.

Artilheiro nato, Santarém foi o maior goleador do Barezão de 1964, com 13 gols. Antes de pendurar as chuteiras profissionalmente, ainda vestiu as camisas do Rio Negro e América.

Ex-funcionário público, Santarém é aposentado pela Prefeitura de Manaus. Hoje, o ex-matador do Tufão mantém ótima forma física, apesar de caminhar com dificuldades, o que lhe dificulta visitar o palco em que mais brilhou na carreira.

“Tenho um problema de hérnia de disco, que atrofiou a minha perna esquerda. Acompanho as partidas pela TV. Fica muito difícil pra eu ter de pegar ônibus e me deslocar até o estádio. Prefiro assistir pela televisão, mas adorava ir pra Colina”, comentou o ex-artilheiro que tem acompanhado de perto um certo craque brasileiro.

“Acompanhava muito o futebol da Espanha por causa do Neymar. Agora que ele está na França, eu já estou começando a acompanhar o campeonato de lá, mas só porque ele foi pra lá”, enfatizou Santarém, que é sócio benemérito do Tufão e até concorreu a presidente do clube na última eleição.

“Meu irmão me convidou pra disputar a eleição no ano passado, mas não deu certo. Eles arrumaram uns sócios aí e ganharam a eleição”, disse o ídolo sãoraimundense, que revelou tristeza com a queda do Tufão para a Série B e disse estar desmotivado com o clube.

“Não tenho acompanhado, nem sei como anda. Não tem nada no São Raimundo pra gente ver. Nem sei se a boate funciona mais, e olha que moro aqui perto”, confessou.

Pai de oito filhos, Santarém tem 16 netos e dois bisnetos e nos fins de semana “foge” pro sítio de uma das filhas pra curtir a merecida aposentadoria rodeado pelos netinhos.

Fotos: Antônio Assis

 
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