Entrevistas
Ex-atacante ‘Cisco’ é considerado um dos jogadores mais ‘infernais’ do futebol amazonense

Se eu começar esta matéria com a frase “O ex-atacante Célio Oliveira Abensur...” você não vai associar o nome a pessoa. Agora, se eu completar a frase com “..., mais conhecido como Cisco”, aí você, leitor, vai saber de quem vamos falar. O jogador, um dos ícones do futebol amazonense, marcou época pelo Nacional, onde conquistou títulos e reconhecimento, entrando de vez no coração dos exigentes torcedores do Leão da Vila Municipal.

Curiosamente, ao contrário do que muitos pensam, Cisco, hoje com 44 anos de idade, não começou a carreira de jogador como atacante. E nem no Naça. Ele contou ao MANAUS HOJE que iniciou nas categorias de base do Rio Negro, o maior rival do Nacional no futebol.

“Fui revelado pelo massagista Raimundinho Mumu (um dos mais experientes desportistas dos clubes amadores e profissionais do Amazonas) ainda no clube da Praça da Saudade. Nos juniores eu era meia-direita e, quando me profissionalizei, virei atacante, posição na qual fiquei até encerrar a carreira”, disse Cisco.

Em 1991, Cisco teve sua primeira experiência fora do Estado: pelo alvinegro, aos 20 anos disputou a Copa São Paulo de Juniores, tendo recebido bastante elogios pela sua atuação. “Aquele time foi considerado o melhor do Amazonas em todas as participações de Copa São Paulo. E eu fui o destaque da equipe”, garante ele.

Ainda pelo Rio Negro, foi campeão Amazonense nesta mesma temporada. Mas, foi no Nacional que o ex-atacante conquistou fama e o carinho da torcida. Ele foi campeão Amazonense pelo clube azulino nas temporadas de 1996, 2000, 2002 e 2003.

Gols históricos

Em 12 anos atuando profissionalmente, Cisco diz ter marcado aproximadamente 100 gols. O mais importante deles é, considerado, por muitos, o mais bonito já marcado na história do estádio Vivaldo Lima, hoje mais conhecido como Arena da Amazônia. E com a camisa do Nacional.

“Esse gol é considerado o mais bonito da história do Vivaldão. Foi marcado em 1996 pelo Campeonato Brasileiro da Série C contra o Grêmio Atlético de Roraima. Eu peguei a bola, driblei e dei um lençol no volante e no zagueiro. Depois driblei outro zagueiro, depois o lateral e o goleiro. Fiquei de cara para o gol. Mas, em vez de marcar o gol, cortei novamente o zagueiro e fiz o gol. O defensor, ao dar um carrinho para evitar que eu marcasse, chocou-se contra a trave e pegou 11 pontos na perna”, relembra o jogador. E por outro conhecido clube azul e branco de Manaus ele conquistou um título bastante significativo: o da Copa Norte em 1998, pelo São Raimundo, e comandado pelo experiente treinador Aderbal Lana.

Dos tempos de glória como jogador Cisco diz não guardar nenhuma camisa ou tampouco flâmulas ou medalhas. “Eu dava tudo a quem pedisse. Não restou nenhuma camisa. Mas ainda tenho troféus e fotos”, destaca ele. Depois de parar profissionalmente, Cisco não se afastou do futetol. Ele disputou o Peladão master pelo Galo Futebol Clube, que chegou entre os 16 melhores da competição organizada pela Rede Calderaro de Comunicação (RCC).

Quando parou de jogar em 2005, Cisco já estava formado há um ano em Psicologia, atividade na qual chegou a exercer pouco. “Achei a área interessante e achava que era bom para mim. Exerci em 2005 mas não tive mais tempo para montar meu consultório. Eu viajava muito e não dava para conciliar. Surgiu uma oportunidade para trabalhar em uma assessoria do Governo do Estado. Mas espero retornar um dia a Psicologia”, detalha Cisco, que também possui licenciatura em Geografia.

‘O jogador amazonense precisa ser valorizado’

O hoje funcionário público disse ir pouco aos estádios de Manaus. Confessando ser flamenguista “fanático”, ele conta que, quando vai a um estádio, seja ele para jogos do Campeonato Amazonense ou do Peladão, acaba sempre sendo reconhecido pelos torcedores, que pedem autógrafos e fotografias.

Célio Abensur comentou que o futebol amazonense está carente de craques e ídolos, como no passado. “Faltam jogadores para ser referências em suas equipes, para ser ídolos. Falta investimento mas categorias de base, infelizmente”, explicou o craque.

O ex-atacante falou para o MANAUS HOJE que é quase certo de ir conferir a partida de abertura do Campeonato Amazonense entre Rio Negro e Nacional, no próximo dia 28 na Arena da Amazônia Vivaldo Lima. ”Acho que devo estar presente sim para essa abertura”, contou o ex-jogador, que aguarda com expectativa o início da competição profissional. “Puxando a sardinha” para a “brasa” local, ele disse que espera que, durante a competição, sobressaiam jogadores amazonenses. “Torço para que eles se destaquem e que os clubes apoiem as suas categorias de base. O Nacional, por exemplo, tem um projeto bom em relação a isso”, declarou o lendário atacante do Leão da Vila Municipal.

Nos momentos de folga, Cisco gosta de curtir um futebol de areia em um campo que fica localizado ao lado da Quadra do Juruá, no conjunto Ajuricaba, Zona Centro-Oeste da cidade. É lá que ele encontra com amigos e vizinhos do bairro para jogar uma “peladinha” e falar sobre claro os assuntos que ele mais entende: futebol e o mundo da bola.

 

 
© Copyright 2004 - 2017 / Todos os direitos reservados a Futebol do Norte