Entrevistas
Jovem atacante do Sul América segue os passos do pai

Velocidade, atenção, bom posicionamento, cabecear com força e precisão, chutar com potência tanto com a perna direita quanto com a esquerda, ser preciso nos arremates e, principalmente, ter “faro de gol”. Características de um grande camisa 9. Eram exatamente essas as qualidades do ex-atacante Fábio Marcus, que estourou no Rio Negro no início dos anos 2000, exatamente os mesmos atributos de seu filho, o jovem Lucas Almeida, artilheiro da equipe infantil do Sul América, no Campeonato Amazonense de 2015, com sete gols.

A semelhança em campo é muito grande, apesar do ex-goleador do Galo ser canhoto, enquanto a jovem promessa do Sulão é destro, ambos possuem uma facilidade absurda em balançar as redes. No entanto, como bom pai-coruja, Fábio Marcus comenta que seu filho joga melhor que o pai.

“Eu jogava de atacante mais fixo na área. O Lucas não, ele também joga pelos lados do campo, é mais rápido. Tanto por um lado como do outro. Ele se movimenta bem e ainda tem muito o que evoluir. Acho que ele joga melhor que eu, na minha época”, disse o ex-camisa 9 do Galo da Praça da Saudade.

Filho de Galo...

Em 2013, com apenas 13 anos, o menino Lucas Almeida deu provas de que tem no sangue o DNA do pai. O garoto foi artilheiro do Galo na Copa Roraima, marcando seis gols na competição internacional e ajudando o time Barriga Preta a se sagrar campeão. Rionegrino fanático, Fábio Marcus sonha que seu filho volte a vestir a camisa do Galo um dia e siga seus passos no clube do coração.  No entanto, como a atual situação do Rio Negro é precária - a equipe não está disputando nenhuma competição de base -, o ex-atacante se contenta em acompanhar o filho nos jogos do Sul América.

“Meu desejo é que ele jogasse pelo Rio Negro, assim como eu. Só joguei em um time aqui no Amazonas, e o foi o Rio Negro. Uma pena ver o meu Galo nessa situação que se encontra”, lamenta Marcus, enquanto observa seu filho em campo contra o arquirrival Nacional, no CT Barbosa Filho.

Centrado, Lucas Almeida ouve bastante os conselhos do pai e sonha com uma chance de atuar fora do Estado. “Primeiramente, quero ser uma grande pessoa como meu pai é. E se Deus quiser, ter uma bela oportunidade lá fora. E posso garantir que, quando ela (chance) aparecer, eu não vou deixar escapar, pois a oportunidade é única”, apontou.

O jovem atacante do Sul América sabe das dificuldades de jogar no Amazonas e tem receio de se frustrar com o futebol, assim como aconteceu com seu pai. “Tenho sim (medo). Na verdade no futebol existem pessoas que só iludem os jogadores, com viagens, com propostas. Esse ano mesmo eu me iludi com algumas propostas que não valeram a pena. Mas eu tenho fé em Deus que vai aparecer uma pessoa que possa me tirar daqui, porque o futebol daqui não tem futuro”, desabafou o consciente Lucas Almeida.

A bola também decepciona

Fábio Marcus, hoje com 34 anos, teve ascensão meteórica no futebol Baré. Com apenas 19 anos, o atacante já era tricampeão amazonense das categorias de base com o Rio Negro, sendo artilheiro do time Barriga Preta por três anos seguidos.

Foi quando surgiu a chance de ouro na vida da então, promessa do Galo. O camisa 9 foi emprestado pro Corinthians, mas um impasse entre o time paulista e a diretoria do Galo o fizeram retornar à Manaus.

“Fui em 2000 pro Corinthians e fiquei por quatro meses. Na época não tinha a Lei Pelé e o futebol no Rio Negro era autônomo e a diretoria me fez voltar. Porque só queria que eu ficasse lá se fosse vendido. Fiquei muito chateado, tanto que parei de jogar futebol e voltei só a estudar”, relembra com tristeza Fábio Marcus, comentando a que a diretoria do Galo não quis renovar o empréstimo com o Timão e só aceitava vender o jogador, que tinha passe fixado na época em R$ 700 mil.

“Eu estava na elite do futebol brasileiro  e tive de voltar pra cá. Aquilo me deixou muito triste. Aquela foi uma chance em milhão”, desabafou o ex-jogador, que só voltou a vestir a camisa do Rio Negro em 2001 pra conquistar o Estadual daquele ano, por coincidência o último do clube.

Fábio Marcus pendurou as chuteiras, precocemente, aos 27 anos, não antes de se tornar vice-artilheiro do Barezão de 2006, atrás de Delmo, do São Raimundo. Atualmente o ex-camisa 9 do Galo disputa o Peladão com a equipe do Millerplast.

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