Entrevistas
Conheça Celma, artilheira de 40 anos do Amazonense

O futebol brasileiro ainda tem muito espaço para os veteranos, como Zé Roberto, Ricardo Oliveira, Paulo Baier e Rogério Ceni. Entre as mulheres não é diferente. Se Formiga, com cinco Olimpíadas nas costas, ainda está na ativa aos 37 anos, o Amazonas tem sua versão regional. Celma, artilheira do Campeonato Amazonense com dez gols, tem 40 anos. E ainda divide a rotina dos campos com o trabalho de operária em uma fábrica do Distrito Industrial de Manaus.

A idade pode até atrapalhar um pouco a jogadora do Sul América/Salcomp na parte física, mas ajuda a encontrar os atalhos da grande área. Assim como Romário foi artilheiro do Brasileirão com 22 gols pelo Vasco aos 39 anos, Celma sabe que a experiência conta.

- Sinto um pouco (a idade). É diferente de quando a gente é nova. Uma idade mais avançada a gente sente. Não é uma coisa que eu gosto muito. Mas com essa experiência eu já sei mais ou menos os caminhos e atalhos para o gol. Mas às vezes encontramos zagueiras pesadas, que sabem marcar, e aí complica – ressalta.

Celma vive um bom momento. Dos 27 gols marcados pelo Sul América/Salcomp, que está na final do estadual contra o Iranduba (perdeu o primeiro jogo por 3 a 2), dez foram dela, ou seja, mais de um terço. E o bom momento é para ser aproveitado.

- Na verdade é muito bom para mim ter uma idade avançada e estar à frente (na artilharia) dessas meninas que são mais novas e jogam para caramba. Acho que é muito bom por esse lado - disse a jogadora, que ainda acredita no título do Sul América/Salcomp, neste sábado, às 18h (de Brasília), no jogo de volta da decisão.

- Elas (Iranduba) viraram nos acréscimos. Mas não tem nada perdido. Vamos para cima tentar reverter isso. Quem sabe a gente não consegue o nosso objetivo – ressaltou.

TRABALHO NA FÁBRICA E TREINOS

O mais cansativo para Celma é a rotina diária que tem que cumprir na Salcomp, fábrica de eletrônicos no Distrito Industrial de Manaus. Ela trabalha das 4h às 16h e, em dias de jogos, vai direto do emprego para o estádio. Além disso, os treinamentos são feitos apenas para o futsal.

- Na verdade o nosso treinamento é na empresa. Acordamos 4h da manhã todos os dias, vamos para empresa trabalhar e saímos às 4h da tarde. E o nosso treino é só de futsal, duas vezes na semana. Campo a gente não treina. Estamos jogando assim na vontade mesmo, na garra. É dificultoso trabalhar e na hora de jogar não ter uma concentração antes do jogo. Já venho direto para o campo – ressaltou.

INÍCIO DA CARREIRA

Celma começou a carreira de jogadora em sua cidade natal, em Itacoatiara (a 176 quilômetros de Manaus). Aos poucos se destacou e em 1997 chegou a jogar no Rio Negro-AM, time pelo qual foi campeã do Amazonense e disputou o Campeonato Brasileiro. E para chegar à Salcomp, foi contratada como empregada e depois passou a se destacar com futsal e futebol.

- Vim para a Salcomp para trabalhar mesmo, porque lá (em Itacoatiara) é difícil. Aí as meninas tinham um time e me chamaram para jogar. Disputei os Jogos Industriais do Sesi. Depois fomos tomando o gosto e disputando outras competições, principalmente no futsal. Já são sete anos que estou lá (Salcomp) – relata.

A jogadora é referência para outras atletas e diz que ainda não sabe se vai parar de jogar futebol na próxima temporada. O que sabe é que se sente feliz, principalmente, pelo reconhecimento das companheiras de equipe.

- As meninas sentem minha falta quando não estou em campo. Me sinto uma referência para elas - ressaltou.

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