Entrevistas
Agricultura, jogadora do Iranduba colhe frutos

Trabalhando e arando a terra sob o sol escaldante desde a infância. E marcando gols decisivos para a sua equipe. É assim a vida em jornada dupla da atacante Paula Francinete Lima de Queiroz, a Paulinha, 23, do Iranduba, que é agricultora da comunidade de São Francisco, localidade de  Terra Nova, no Município de Careiro da Várzea (a 25 quilômetros de Manaus). Acostumada a plantar hortaliças, legumes e verduras, ela vem colhendo frutos no futebol feminino e o carinho dos torcedores irandubenses.

O trabalho na roça existente em sua própria casa, de madeira, onde mora com os pais Paulo Afonso Vieira de Queiroz e Maria Amélia Lima de Queiroz (ambos com 53 anos de idade) e mais 3 irmãos e 5 irmãs, consiste no plantio e extração de produtos como couve, chicória, cebola, quiabo, maxixe, pepino, alface, cheiro-verde e outros.

PLANTANDO, DÁ!

A jornada começa às 4h da madrugada, quando ela acorda e, antes do café, faz a irrigação das plantações. Às 6h ela volta para a roça para capinar. O almoço ao meio-dia vem com uma pausa até às 14h, quando volta para o campo onde fica até 17h30. Isso de segunda a sexta. O sábado é dedicado ao descanso, e no domingo ela e os familiares extraem os produtos cultivados para levar à Feira da Manaus Moderna, no Centro da cidade, para vender. Antes, Paulinha trabalhava em uma serraria.

A rotina só é quebrada quando ela vem a Manaus participar dos treinamentos pelo Iranduba, que está disputando o Campeonato Brasileiro e que recentemente garantiu a sua classificação para a segunda fase com um gol justamente dela, selando o placar de 5 a 0 sobre a Portuguesa de Desportos (SP).

E engana-se quem pensa que ela reclama da jornada como agricultora. “O trabalho é um pouco pesado, puxado, mas é gratificante e nós já estamos acostumados. É tudo ok”, conta Paulinha, que no momento da entrevista para o MANAUS HOJE estava em sua comunidade descansando após mais um dia da lida no campo.

A terra é tudo para a jogadora. E foi nela onde começou a dar os primeiros chutes ainda criança em um campinho de futebol feito pelo próprio pai em um outro terreno no qual moravam em Terra Nova. “Eu brincava sozinha e era a única menina em meio aos meus irmãos e outros meninos da comunidade”, lembra ela.

VIROU XODÓ DA GALERA

Paulinha se transformou em xodó da torcida do Iranduba no último dia 10 de fevereiro na Colina. Ela entrou em campo no 2º tempo, após pedidos insistentes dos torcedores, e marcou o gol decisivo da vitória por 5 a  sobre a Lusa (a equipe precisava vencer por 5 gols de diferença para se classificar à 2ª fase).

“Eu não era muito acostumada a entrar no jogo e ver tanta torcida assim. Foi emocionante quando chamaram meu nome. Isso me deu bastante energia e força para entrar bem e marcar o gol”, comenta a simpatizante do Flamengo e fã do meia Kaká. E por muito pouco ela não marcou o segundo gol em um voleio após cruzamento. "A zagueira estava muito em cima e eu tentei fazer o voleio, mas pegou mais na canela", relembra ela.

De origem no futsal, Paulinha tem títulos como o Peladão Feminino de 2014 pelo Manaus Moderna, e ano passado disputou o Campeonato Amazonense pela equipe do Manaus FC. “Sonho ser campeã Brasileira, jogar profissionalmente e atuar pela Seleção Brasileira”, planeja a destaque do Iranduba. Suas principais características são o toque de bola, movimentação para ficar à disposição das companheiras e arrancadas rumo ao gol. Ao estilo do ídolo Kaká nos bons tempos.

Ela aguarda com expectativa a segunda fase deste Brasileirão Feminino. "Espero que possamos fazer um jogo bom na segunda fase e continuar conquistando as vitórias. Espero que venhamos mais organizadas e ativas, com ainda mais raça", comentou a promissora atacante, que quer deixar uma "pulga atrás da orelha" do técnico Olavo Dantas. "Já mostrei que estou lá para ajudar o time. Se precisar de mim, é só chamar", brincou a sorridente atleta.

Foto: Arquivo/AC
Fonte: Jornal A Crítica 

 
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