Entrevistas
Léo Olinda dá exemplo de superação e gratidão

Uma vida resumida em três sentimentos: felicidade, gratidão e superação! Com estas palavras, o meia atacante pernambucano Leandro Thomas Batista da Silva, o “Léo Olinda”, definiu a vida dele. Com um jeito tímido e um olhar sereno de quem já venceu muitos obstáculos ao longo de seus 31 anos, o jogador que atualmente disputa o Campeonato Amazonense pelo Manaus FC é um exemplo de que nenhum problema pode ser maior do que a determinação em vencer. Ou no caso dele, de simplesmente, viver.

Léo carrega no rosto as marcas de cada momento de dificuldade vividas desde o nascimento. Durante o parto, o cordão umbilical ficou enrolado em sua cabeça. Assim, Léo nasceu com o rosto aberto e vários traumas nos ossos da face. “O médico disse para minha mãe que eu só tinha 15 dias de vida, mas ela nunca acreditou nisso, nunca desistiu de mim. Meus primeiros meses de vida foram dentro de um hospital e com seis meses fiz minha primeira cirurgia”, lembrou o jogador.

De lá pra cá foram mais de 10 intervenções cirúrgicas, sendo a última realizada quando ele tinha 18 anos. Nada disso atrapalhou a saúde de Léo, que segundo ele, sempre foi perfeita. Foi então que aos 12 anos, ele resolveu se aventurar no futebol, iniciando a carreira no nas categorias de base do Recife Futebol Clube. Durante a vida esportiva o jogador já passou por mais de 20 times. Entre eles estão o River-PI, o Salgueiro-PE e o Guarani de Sobral-CE. Léo estava sem clube até que recebeu o convite do Manaus FC e resolveu se aventurar no Amazonas. “Quando a gente é jogador, sabe que pode ser chamado para jogar em lugares mais diversos, porém, nunca imaginei que viria para Manaus. Hoje estou aqui e vou dar o meu melhor para ajudar o Manaus  se levantar”, disse o meia que desembarcou na cidade em julho. Atualmente o jogador  é casado e tem dois filhos.

O problema que teve ao nascer nunca influenciou no desempenho do jogador. Contudo, quando o assunto é preconceito, Léo diz que já sofreu muita discriminação ao longo da vida mas que nunca se deixou abalar. “Minha mãe sempre me deu uma boa educação e graças a Deus sempre tive muito apoio dela de alguns familiares e amigos. Com relação ao preconceito, já vivi muitas situações difíceis. Mas eu acredito que cada pessoa dá o que tem de melhor. Se o que ela tem de melhor é o preconceito, eu recebo com o que tenho de melhor, que é minha educação”, destacou Léo, que apesar de discreto dentro e fora de campo, pode se considerar um verdadeiro campeão da vida.

Quatro perguntas a Léo Olinda

O que você está achando do futebol amazonense?
Eu já tinha ouvido falar, porém, não sabia nada aprofundado. Aqui temos bons jogadores, o que falta é ter mais visibilidade para o resto do país. Infelizmente ainda não temos uma valorização com os times daqui.

Como está sendo a tua adaptação em Manaus?
Fui muito bem recebido por todos e a adaptação está sendo muito boa. Formamos uma verdadeira família, mesmo porque somos 18 jogadores de fora da cidade, ai acabamos nos apoiando e fazendo companhia.

E por falar em família, como você lida com a saudade dos teus parentes?
Já faz algum tempo que eu jogo fora de Olinda. Claro que a saudade sempre é muito grande, mas todos nós aprendemos a conviver com ela. Falo com minha esposa, mãe e filhos todos os dias, pelo menos duas vezes. O celular e a internet ajudam muito.

O que você está achando de Manaus?
Até agora só conheci a praia da Ponta Negra e achei linda. A gente passa a maioria do tempo treinando e descansando para estar em forma nos jogos. Quando tiver um tempinho, quero conhecer mais das belezas daqui da cidade. Sei tem muita coisa boa aqui.

Foto: Winnetou Almeida.
Fonte:
Jornal A Crítica 

 
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