Entrevistas
Gaúcho Lima: acreano que ajudou o Botafogo no Brasileirão de 1981

Com carreira futebolística construída longe dos gramados acreanos, o ex-zagueiro Gaúcho Lima, 59 anos, hoje vivendo no Rio Janeiro, esteve no início do ano na capital Rio Branco para visitar amigos e familiares. ‘O Futebol Acreano em Revista’ não perdeu tempo e conversou uma tarde com o ex-zagueiro do Botafogo-RJ.

Acompanhado do amigo de infância Alzerino Paiva, o Azeitona, o atleta falou do início da carreira com a camisa do Atlético Acreano, da sua transferência para o futebol gaúcho, da chegada e saída do Botafogo-RJ, além de uma passagem pelo futebol português, entre outros assuntos.

Início da carreira

Nascido e criado no bairro 15, o então rebelde adolescente de 17 anos, além de não trabalhar ou estudar, vivia o drama da separação dos pais. O futebol era o único alento na vida. O início da promissora carreira ocorreu no Atlético Acreano, após curto período no Rio Branco FC, em 1974. Com porte físico avantajado e bom jogo aéreo, foi convencido a deixar a função de atacante de área para virar zagueiro.

Na nova posição, chamou atenção dos dirigentes celestes, tanto que virou titular num amistoso ocorrido no Stadium José de Melo, em 1974, contra o Clube do Remo. Um ano depois, surgiu a oportunidade de um teste na equipe gaúcha do Internacional. O resultado não foi o esperado. ‘Foi um teste de apenas dez minutos, muito pouco para avaliar qualquer atleta. Nova oportunidade na carreira viria no arquirrival Grêmio. Lá, Gaúcho Lima jogou um tempo de jogo. O suficiente para receber aprovação dos dirigentes do tricolor sulista.

Muito jovem ainda, Gaúcho Lima foi emprestado às categorias de base do Flamengo, em 1976. Porém, o atleta não teve vida longa no rubro-negro carioca e logo retornou para o tricolor dos Pampas, ficando mais alguns anos, onde vivenciou ao lado de Zequinha, Eder, André Cambalhota, Tadeu, Oberdan, Alcino e Tarcísio, uma “seca de títulos” com a camisa do tricolor gaúcho.

Saída do Grêmio e a chegada ao Botafogo

Com a idade de juniores estourada e sem espaço no Grêmio Porto-alegrense, Gaúcho Lima foi tentar a sorte no futebol paulista, em 1979. Indicado por Oberdan, quase acertou com o Santos do técnico Formiga e dos jogadores Nilton Batata, Pita e Gilberto Sorriso. Porém, o destino seria o São Bento-SP e, logo depois, o Palmeirinha, de São João da Boa Vista, clube esse que teve a oportunidade de jogar ao lado do atacante Mirandinha, ex-Botafogo-RJ, Palmeiras, Newcastle-ING e Seleção Brasileira.

No ano seguinte o acreano, juntamente com Mirandinha, foi contratado para reforçar o Botafogo-RJ. “Lembro-me que cheguei ao clube no dia da visita do Papa João Paulo II a cidade do Rio de Janeiro”. No alvinegro, onde ganhou o apelido de Gaúcho Lima (já existia na equipe outro jogador com apelido de Gaúcho), jogou três temporadas nas posições de zagueiro e lateral esquerdo, mas não conquistou títulos. Porém, ele guarda na memória boas recordações e dois duelos inesquecíveis vestindo a camisa do alvinegro carioca. O primeiro deles contra o arquirrival Flamengo pelo Campeonato Brasileiro de 1981. O confronto ocorreu em 19 de abril daquele ano, com 135 mil pagantes nas arquibancadas do estádio Maracanã. Liderado por Mendonça, o alvinegro de Marechal Hermes venceu, de virada, o badalado rubro-negro de Zico e companhia, por 3 a 1. O resultado colocou o ‘Fogão’ nas semifinais do torneio.

Outro confronto presente na memória viva desse acreano ocorreria no mesmo ano na disputa das semifinais do Campeonato Brasileiro diante do São Paulo. O time alvinegro, após vencer o primeiro duelo das semifinais (1981) no Rio de Janeiro, por 1 a 0, gol de Marcelo Oliveira, acabou sofrendo o revés no jogo da volta diante do tricolor paulista em partida ocorrida no Morumbi diante de quase 100 mil pagantes. O time alvinegro chegou a abrir dois gols de vantagem no placar, mas acabou levando a virada do tricolor paulista (3 a 2). “Foi um jogo tumultuado, onde, no intervalo, fomos até mesmo ameaçados pelos seguranças do São Paulo. E, além disso, o árbitro [Manoel Serapião Filho] foi coagido pelos dirigentes paulistas”, recordou o ex-zagueiro.

Outros clubes e os atacantes da época

No segundo semestre de 1982, o vínculo trabalhista entre Gaúcho Lima e o Botafogo-RJ chegou ao final. De acordo com o ex-jogador, o reajuste proposto pelo clube não cobria nem mesmo a inflação. Sentindo-se desprestigiado deixou o clube para reforçar o vitorioso Olaria na disputa do título carioca da Série B, onde, segundo ele, foi ganhando o triplo do salário oferecido pelo alvinegro carioca.

No ano seguinte (1983) atravessou o Oceano Atlântico para firmar compromisso com o União da Madeira, de Portugal. Lá disputou duas temporadas antes de retornar ao futebol carioca para vestir agora a camisa do Goytacaz (1985). No clube de Campos, Gaúcho Lima formou o miolo de zaga com o hoje técnico Abel Braga, no vice-campeonato Brasileiro da Série B.

Antes de encerrar a carreira, Gaúcho ainda passou pelas equipes Torreense e Lixa, da 2ª divisão portuguesa, América de Três Rios (1988), onde atuou ao lado de Andrade e Adílio. Aos 34 anos, já exausto da rotina de jogos e treinos, resolveu encerrar a carreira na equipe do Barra Mansa (RJ), na temporada de 1989, apesar de uma curta experiência na Liga Americana de Futebol.

Mesmo com uma grande leva de bons jogadores surgidas nas décadas de 1970 e 1980, Gaúcho Lima arrisca listar cinco atacantes que eram o terror das defesas adversárias: Roberto Dinamite, Baltazar, Serginho Chulapa, Cláudio Adão e Nunes. Este último, segundo ele, um atacante de muita força física e excelente movimentação e, acima de tudo, um “homem gol” infiltrado nas defesas adversárias.

Botafogo 1981. Em pé, da esquerda para a direita: Perivaldo, Zé Eduardo, Rocha, Gaúcho Lima, Paulo Sérgio e Batata. Agachados: Edson, João Carlos, Mendonça, Wescley, Volnei e Soninho (massagista). GAÚCHO LIMA/ACERVO

 
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