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Fajardo evita Série C, põe Messi só atrás de Pelé e fala sobre estadual: "Seríamos campeões direto"
Bastidores
22.05.2020 - 17:29 - Amazonas

O treinador Welington Fajardo foi o entrevistado da vez na "live" do Manaus FC nas redes sociais. Em quase uma hora e meia de conversa, o comandante, que está de quarentena em Juiz de Fora, Minas Gerais, abriu o jogo e respondeu os questionamentos tanto do entrevistador, o assessor de imprensa André Tobias, quanto dos torcedores que interagiram no bate-papo.

Durante a entrevista, o técnico comentou sobre a paralisação do futebol brasileiro - e encerramento do Campeonato Amazonense - devido a pandemia do coronavírus. Ele afirmou que a equipe vinha numa crescente e que pegaria uma tabela favorável pela frente no estadual. O cenário, para ele, era suficiente para lhe dar convicção de que o clube seria campeão amazonense sem precisar disputar a final.

- Tudo que a gente vinha programando, em termos de comissão técnica, fomos alcançando. Não ficou nada para trás. Quando a gente já estava no segundo turno, depois de termos jogado os três clássicos (São Raimundo, Fast e Nacional), nós teríamos mais um jogo no interior, além do Penarol, Amazonas e o lanterna Iranduba. A tabela estava muito favorável para nós. Por isso a convicção de que vencíamos os dois turnos direto. Falo com muita humildade, mas estávamos numa crescente, que não via outro cenário senão ser campeão - disse, ao acrescentar que nem os desfalques interromperiam os planos.

- Nós tivemos muitos jogadores machucados, jogadores que eram importantes para o nosso modelo de jogo, que são os atacantes de extrema, como Rossini e Dolem. Tivemos que improvisar muito até a chegada do Martinho e do Fumaça, quando enfim conseguimos recompor essa situação. Estávamos, de certa forma, preenchendo a lacuna que foi deixada com as contusões. Não consigo enxergar com bons olhos a parada, mesmo com os jogadores lesionados. Nosso time estava muito preparado, muito maturado. Por esse lado não foi bom - concluiu.

Questionado sobre as expectativas à Série C do Campeonato Brasileiro, que segue com data de início indefinida diante da pandemia, Fajardo preferiu evitar falar sobre o assunto. Ele disse que o momento exige muita cautela, mas deixou claro que prefere que o futebol volte de uma vez, com segurança, do que acabe voltando na pressa, podendo ser interrompido novamente.

- Eu não posso falar da Série C sem falar desse momento que estamos passando. Eu penso que nós estamos passando por um período de guerra. É só observar quantas pessoas morreram por conta dessa doença. Numa guerra, ou você avança, ou você recua, ou você "entrincheira". O momento agora é de entrincheirar. Voltar apenas quando estiver em segurança. Enquanto não tiver uma autorização do Ministério da Saúde ou que a CBF não marque uma data de início da Série C, não tem como falar disso. É muito melhor que volte com data de início e fim que voltar e acabar sendo interrompida novamente - ilustrou.

Fajardo também se mostrou preocupado com o tempo inativo. Se por um lado os dois meses parados foi o suficiente para recuperar os atletas lesionados, por outro ele alerta para possíveis contusões que possam acontecer devido a falta de ritmo de jogo. Ele citou o Campeonato Alemão como exemplo e afirmou que, no momento, o preparador físico Murilo Vasconcelos tem sido peça essencial.

- Vai ser uma Série C com todo mundo no mesmo nível, pois a maioria está em quarentena. Começou o Campeonato Alemão e vimos que, só na reabertura, tiveram oito contusões musculares. São coisas que servem de alerta para a gente. O tempo todo estamos monitorando tudo que vem acontecendo no futebol pelo mundo afora - ponderou.

- O trabalho do treinador envolve vários departamentos, muita coisa. Logicamente que o campo é o produto final, mas a gente tem marcado sempre lives com André, que é o auxiliar, o Giba, que é o preparador de goleiros, e o Murilo, que está sendo, no atual momento, o membro da comissão técnica mais importante, pois é ele quem tem monitorado os atletas. Ele, inclusive, tem elogiado muito a forma que os atletas tem se dedicado nesse período de quarentena - completou.

O técnico ainda se mostrou fã de Messi, quem coloca atrás só de Pelé na história, comentou sobre os jogos mais marcantes com a camisa do Manaus, elegeu o estádio que mais gosta de jogar no estado do Amazonas, falou sobre possibilidade de reforços à Série C e muito mais.

Foto: João Normando


Veja os principais tópicos da entrevista abaixo:

Messi ou Cristiano Ronaldo?

Fajardo: Messi! São dois craques, mas eu gosto muito do Messi. Eu acho o Ronaldo mais definidor, mas o Messi é mais completo. Pode jogar como meia central, como ponta, consegue armar jogadas, concluir, fazer gols. Eu estou com 58 anos. Vi o Pelé, que coloco à frente de todos. Vi Maradona, Van Basten... Mas, depois do Pelé, dos que vi jogar, para mim o melhor foi Messi. Acima do Maradona.

Quem é ou são suas referências como técnicos?
Fajardo: Eu fui um jogador que sempre escutei muito, tanto os treinadores quanto os jogadores mais experientes. Sempre ouvi muita coisa. Minha primeira referência de treinador não é tão conhecido, mas é o Jair Bala, ex-América-MG. Trabalhou muito nos times de Minas Gerais. Outra referência que tenho é o Leão, que foi até técnico da seleção brasileira. Trabalhei com ele no São José-SP e aprendi muito sobre comando. Na questão da motivação, outro treinador de seleção brasileira: Carlos Alberto Silva. E também o Jair Pereira, que também foi meu treinador no Cruzeiro. Eu tento pegar o melhor de cada um e usar minhas características próprias.

Tem alguma preferência por estádio para mandar os jogos?
Fajardo: Em Manaus, temos o privilégio de estar sempre atuando em três estádios muito bons. Três palcos que oferecem muita condição na parte de logística, de aquecimento, de tudo. Mas eu acho que o grande palco para quem quer ser grande é a Arena da Amazônia. Se me perguntarem amanhã o que vai engrandecer mais o clube, independentemente do resultado, vou dizer que jogar no melhor estádio. Essa opinião não é só minha, mas também dos atletas e do restante da comissão técnica. Sem dúvida nenhuma a Arena da Amazônia é a nossa casa.

Qual foi o estádio mais duro de se jogar desde que chegou no Manaus?
Fajardo: Todo jogo em Itacoatiara é difícil. Foram dois jogos que fizemos lá, com dois empates. O campo não oferece muita condição de se praticar um bom futebol, porque o gramado não é muito bom. Talvez tenha sido o pior gramado que já atuamos, e isso dificulta muito para um time que gosta de propor o jogo. Somos bem recebidos, a torcida é muito bacana, mas jogar lá sempre foi muito difícil.

Qual foi o jogo mais difícil que você enfrentou pelo Manaus?
Fajardo: O jogo mais difícil foi contra o Coritiba, apesar de termos ganho. Eu acredito que ganhamos pelo fato de que eu já estava há muito tempo no comando do clube, já havia uma forma de trabalho definida. Foi um adversário difícil, de Série A, que viajou completo. Só o Sassá pagava toda nossa folha salarial de dois meses. Nos preparamos especificamente para aquele jogo. Tem bastidores que as pessoas não sabem. Fizemos programação específica para o jogo. Pela complexidade e dificuldade do jogo, qualifico como o mais difícil. Foi um jogo histórico. Vão lembrar dele daqui a 20 anos.

Quais foram as três partidas mais especiais pelo Manaus?
Fajardo: A mais especial, sem dúvida, foi o acesso. Pela grandeza do jogo, pela torcida, que lotou o estádio. Todo mundo achava que o Caxias ia passar, menos nós. A gente não era conhecido no Brasil ainda, passamos a ser conhecido após o acesso. O jogo contra o Coritiba também foi muito especial, pois quando você ganha de um time da Série A, você mostra que tem futebol no Amazonas. O jogo contra o Penarol, a primeira partida da sequência de 21 jogos invicto, também foi muito marcante para mim. Peguei um grupo sem confiança, um clima muito estranho. Ali foi um divisor de águas.

Pensa em reforços para Série C?
Fajardo: Em relação a grupo, achávamos que tinha um elenco pronto para o Amazonense e Copa do Brasil, só que acabamos perdendo três jogadores de uma vez por lesão. Caso haja algum problema com desfalque queda de produção, teremos que agir rápido e buscar reforços para Série C. Fizemos isso no estadual. A gente estava sofrendo. Perdemos Rossini, Diogo Dolem e Thiago de uma vez só. Perdemos todos os extremos e, junto deles, o modelo de jogo. A diretoria agiu muito rápido, lembro que tivemos uma reunião logo após o jogo contra o Amazonas, falei da necessidade de reforços de extremos. Fumaça fez total diferença tanto nos jogos decisivos do turno e também no returno.

Por ter sido goleiro quando profissional, há uma cobrança diferenciada com a posição?
Fajardo: Não interfiro no treinamento dos goleiros. Como eu tenho mais ou menos 500 ou 600 jogos na carreira, falo para eles que não vão me enganar de forma alguma. Sei quando eles estão sem confiança, quando não saem do gol quando têm que sair. Tem esses detalhes, que não passam despercebidos, seja na questão emocional, seja na parte técnica. Prefiro que meus goleiros saiam errado do que fiquem com medo de sair do gol. Futebol exige coragem. Gosto de goleiros corajosos.

Fonte: Globoesporte.com
 


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